Foto: Pedro Chaves/FCF

O calendário do futebol brasileiro é um dos mais atribulados do mundo. Alguns “especialistas” mais radicais colocam os Campeonatos Estaduais como o principal vilão e a principal razão para esse martírio dos “grandes” clubes nacionais.

No entanto, se depender do novo Diretor de Competições da CBF, Julio Avellar, os estaduais vão continuar. E pelo jeito, diferentemente dos especialistas, ele entende que existe vida no futebol brasileiro para centenas de outros clubes e milhares de atletas espalhados por este País continental.

Em excelente entrevista concedida ao Blog do jornalista Rodrigo Mattos, no UOL, Avellar foi categórico ao falar sobre o tema: “Não acho que a solução é acabar Estadual. Temos que arrumar uma maneira de coexistir o calendário”.

O dirigente da CBF, que tem passagem de sucesso na Fifa, falou também da dificuldade para a criação de outras competições nacionais, como uma Série E do Brasileiro. Avellar comentou ainda sobre os torneios regionais e garantiu que a Copa do Nordeste está consolidada. “Todo mundo sabe das dificuldades do calendário. O Nordeste já está consolidado. Acho que precisaria de um ajuste porque os Estaduais estão muito deixados de lado. Copa Sul-Minas teria de fazer conta para ver se cabe. Antes, havia o Rio-SP que trouxe complicações para Estaduais. Tem que fazer conta”.

Para conferir a entrevista na íntegra, clique aqui. Abaixo há um pequeno trecho:

Blog: Você entende que tem mexida demais na tabela? Uma vez contei que tinha 150 mexidas na tabela.
Julio Avellar: Esse é outro ponto interessante. Quando cheguei aqui, fiz um trabalho de mensurar quantas mudanças a gente tinha. E a grosso modo era 40% da tabela da Série A, 50% das Série B, 60% da Série C, e, na Série D, era uma tristeza, 70% trocava. Mas a gente tem que analisar os agentes, o porquê dessas mudanças. Tem o detentor que pede para mudar porque privilegia a questão comercial dele. Você tem a informação vem escassa ou fragmentada de federação ou clube. E às vezes ia mudando. O ambiente que a gente tinha aqui, não podemos deixar de constatar, a malha aérea enxugou. As tabelas eram desdobradas em cinco, cinco rodadas. Eu desdobrei dez rodadas da Série A, Série B foram 12. Para criar previsibilidade, o clube pensar, essa viagem eu faço aqui, esse treinamento aqui. Foi um trabalho de construção com todos os agentes, detentor de direito, parceiro logístico, seja clubes e federações, para poder entender que para desdobrar a tabela de cinco jogos, não ajuda ninguém e tem muita mudança.

Blog: É ruim ter muita mudança de 40%?
Julio Avellar: Acho péssimo. Você é torcedor do seu clube e quer planejar uma viagem para ver o seu clube e não sabe quando o cara vai jogar. Você compra a passagem e o cara trocou. É horrível, você destrói o produto. Quanto mais alongar essa previsibilidade, melhor. O que pude observar é que essas mudanças diminuíram. Fizemos um trabalho com os detentores de direitos para mostrar para eles quais são as premissas na construção de tabela. Avião não desce em Chapecó às 10 horas da manhã. Será que o outro lado sabe? Quando está pedindo um jogo em tal horário, sabe disso?