
Assim como em qualquer profissão, todos trabalham por dinheiro. Ninguém trabalha de graça. Ninguém fica 30 dias se dedicando a um emprego para no final do mês receber apenas um elogio do patrão.
No futebol é assim e faz muito tempo. O esporte mais popular do mundo virou um enorme negócio em todos os lugares do planeta. Não existe amor ao clube. Quem tem amor ao clube é o torcedor, que paga caro para ver (pela TV, PPV, Internet, Streaming, ingresso) para usar uma camisa ou produto do time do coração.
E quem comanda os clubes sabe como poucos explorar esse amor para ganhar dinheiro. Como diz o filósofo: não existe almoço de graça. Achar que algum profissional do meio (executivo, atleta, fisioterapeuta, médico ou treinador) ao receber uma proposta para ganhar 5 vezes o salário vai optar pelo projeto ou amor ao clube é insano. Há exceções é claro. Mas a regra é aceitar. E não há nada de errado nisso.
Talvez seria impossível um torcedor aceitar uma fortuna para trocar de time, mas para mudar de emprego?
Pegando o gancho do treinador português Luís Castro, que deixou o Botafogo para receber uma R$ 2,6 milhões por mês (livre de impostos) na Arábia Saudita e ir treinar o time do astro Cristiano Ronaldo, alguém em sã consciência não faria o mesmo?
Luís Castro não tem nenhuma raiz no futebol brasileiro, nunca havia passado por aqui e já treinara vários clubes em Portugal e em outros países. Ele mesmo estava na Arábia, no Al-Duhail, quando saiu para treinar o Botafogo. Aliás, só pra lembrar, por deixar o clube carioca, Castro vai pagar uma multa de R$ 10 milhões.
O problema é que justamente os que comandam os clubes querem passar essa ideia de paixão, de amor, de respeito à instituição. Mas isso é só quando lhe convém. Quando é necessário para “o projeto” seguir firme. Ou melhor, quando “os resultados” (não) aparecem. O que manda é o profissionalismo, o amadorismo deixa para os torcedores.
Maior ídolo da história do São Paulo como jogador, Rogério Ceni, como treinador, foi demitido 2 vezes do clube do Morumbi.
Por outro lado, Vojvoda, no Fortaleza, e Abel Ferreira, no Palmeiras, receberam ofertas milionárias para deixarem seus respectivos clubes, mas não saíram. Ambos, talvez, são as exceções, que comprovam a regra no futebol.
O esporte profissional é um balcão de negócios abastecido pela paixão do público, que inconscientemente acredita que os que estão no comando, na área técnica, lá no campo, trabalham por amor, por respeito ao clube, quando na verdade se não tiver dinheiro em disputa não há sentimento, nem profissionalismo.
E quando esse dinheiro é bem acima do que o clube pode oferecer aí o profissionalismo aparece como se fosse amor, como se fosse respeito à instituição. Infelizmente, há quem acredite.
