No futebol, com raríssimas exceções, o torcedor não está muito preocupado em saber quem são ou o que fazem os dirigentes do clube do coração. Ver a bola entrando no gol adversário e o time ganhando é o que importa.

Isso também pode ser estendido para os próprios cartolas, quando o assunto é o comando das federações ou da CBF. Se o meu clube não for prejudicado ou tiver benefícios, o resto que se dane.

E talvez por isso, ou só por isso, é que os dirigentes não conseguem entrar em consenso para criarem uma Liga e fortalecer o esporte pela qual eles sobrevivem (ou melhor, em que eles ganham muito dinheiro, ou você conhece algum dirigente que quer largar o osso?).

Os caras não estão nem aí para o fomento, o crescimento do futebol brasileiro. E o motivo sempre é: dinheiro. Os cartolas do “Eixo” não querem dividir o bolo com o restante. Eles se acham os maiorais. Num exemplo bem prático, se acham a elite e não querem dar espaço para o povão.

Aí, a gente pode levantar o olhar e ver esse cenário lá na Confederação Brasileira de Futebol, que teima em não conseguir passar pelo período de 4 anos sem um escândalo. Impressionante.

Aliás, não acredite na história que os clubes não têm poder e que quem manda no futebol brasileiro são as federações. Isso é um discurso preguiçoso, de gente que protege cartolas de times ou que não sabe como funciona a política do esporte bretão.

São os clubes, os dirigentes dos clubes que escolhem os presidentes das federações. Trazendo aqui para o nosso quintal. Ceará, Fortaleza e Ferroviário têm força para escolher o presidente da FCF. Se Mauro Carmélio está lá é porque eles querem e aprovam a gestão do atual mandatário.

E isso serve para todas as outras federações (claro que com uma ou outra exceção para justamente comprovar essa regra). Somente quando acontece algo muito drástico, aí é que a cartolada se reúne e tenta mudar alguma coisa, mas que na maioria das vezes é para deixar no poder alguém do meio deles e que vá “beneficiá-los” em um futuro próximo.

Dito isso, a CBF, então, está aí, mais uma vez em meio a um escândalo, sem presidente. Na verdade, com o atual presidente destituído, porque ele, provavelmente, quis fugir à regra de uma cultura baseada em propinas, superfaturamento ou não quis mais pagar certa mesada a velhos cartolas.

Ednaldo Rodrigues, preto e nordestino, não é cabaço (neófito) no meio do futebol. Pelo contrário, já conhece o metiê por completo. Só que parece que o tal do “poder” subiu à cabeça.

Para entender melhor toda essa sinistra queda do baiano, clique aqui e leia essa excelente matéria feita pelos jornalistas Diego Garcia, Igor Siqueira e Rodrigo Mattos no UOL.

O futebol brasileiro é comandado por uma elite do atraso e parece que os clubes não querem ou não têm forças para mudar. Talvez, o único objetivo seja ver o próprio umbigo.

E olhe que por aqui nós já sediamos Copa do Mundo, Copa das Confederações, Copa América, Olímpiada, Pan-Americano… recebemos milhões de dinheiro da Fifa, de casas de apostas, do governo, das loterias, criaram Arenas, melhoraram a infraestrutura, mas quem mais ganhou com isso não foi apenas o “futebol brasileiro”, mas uma cartolada, que não quer largar o osso e, pelo jeito, não vai largar tão cedo.

Ah só pra fechar, quando você ler na matéria do UOL sobre Flávio Zveiter, que deve ser o candidato de oposição de Ednaldo Rodrigues, lembre-se que Flávio Zveiter foi presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, é filho de Luiz Zveiter, também ex-presidente do STJD, e ex-presidente do Tribunal de Justiça do Rio, é sobrinho de outro ex-presidente do STJD, Sergio Zveiter, e neto do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça Waldemar Zveiter.

E não adianta apenas rezar, como bem disse certa vez Madre Tereza de Calcutá: “as mãos que fazem valem mais que os lábios que rezam”.