
Numa votação apertada, 112 a 104, conselheiros do Ceará resolveram impedir que o sócio torcedor tenha voz e vez no clube a partir da próxima eleição.
A Assembleia Geral Extraordinária realizada na noite dessa segunda-feira, 17, deixou claro quem ainda manda no clube alvinegro são 112 conselheiros. Apesar de 104 terem votado a favor para que o torcedor de arquibancada pudesse também decidir os rumos do Ceará Sporting Club.
A negativa para que Novo Estatuto fosse aprovado só comprova o que há um bom tempo já se sabia, mas precisava de algo explicitamente aberto: o Ceará não é do torcedor, é de uma parcela de conselheiros, que não quer perder poderes e nem dar espaço para modernidade.
Nem o argumento indolente do Presidente da Diretoria Executiva, João Paulo Silva, de que é a favor do sócio votar, mas há outros pontos no Estatuto na qual ele não concorda e por isso votou não, só reforça a ideia do interesse próprio ao invés do clube.
O esforço hercúleo de alguns conselheiros para começar ano passado um projeto de criação de um novo estatuto para modernizar e profissionalizar o clube e fazer com que o torcedor pudesse, enfim, estar à frente das decisões políticas e administrativas foi até onde o sistema permitiu.
Mas como bem disse um certo Capitão Nascimento: “O Sistema é Foda”, o jogo é bruto, covarde e muitas vez inglório, principalmente para quem luta justamente contra esse sistema, que se arrasta e comanda o clube por anos e anos.
Com o futebol recheado de dívidas, ações trabalhistas e dificuldades para voltar à elite nacional, só mesmo muito amor dos torcedores para manter o Ceará ainda de pé com esperança por dias melhores, porque se depender de 112 conselheiros vai ser difícil.
