
Como já era esperado a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas no Senado começou com muitas bravatas de políticos querendo muito mais aparecer do que necessariamente esclarecer o caos em que se tornou o futebol brasileiro com a infinidade de jogatinas on lines.
O Senador Jorge Kajuru (PSB-GO), que é o presidente da CPI, chegou a falar em abril: “Nós chegamos a uma conclusão por unanimidade. Ao invés de falar em provas, temos que dizer que obtivemos indícios indiscutíveis”, após o dono do Botafogo John Textor prestar depoimento.
Em seguida, o parlamentar falou em solicitar a ajuda da Polícia Federal e até a pedir a paralisação do Campeonato Brasileiro, enquanto as investigações não fossem concluídas.
2 meses depois, não aconteceu nada. O espaço que a CPI tinha na mídia e que causou grande repercussão ficou restrito agora à TV do Senado e olhe que o que mais os parlamentares sabem fazer é fanfarronices.
Só para se ter uma ideia, na próxima semana, a CPI convidou os presidentes do Tombense (Lane Gaviole) e do Londrina (Sérgio Malucelli), porque em 2023, os 2 times se enfrentaram pela Série B do Brasileiro e houve indícios de suspeitas de manipulação.
No entanto, os 2 dirigentes já deram várias entrevistas afirmando que não viram nada demais e que se realmente tivesse acontecido algo (há suspeita de apostas para cartões amarelos), eles próprios seriam os primeiros a quererem esclarecer a situação.
Se não bastasse, Jorge Kajuru quer chamar Lucas Paquetá para prestar depoimento na CPI, devido ao ocorrido com o atleta na Inglaterra.
Pra completar, a CPI vai ouvir na próxima terça-feira, 2, o ex-assessor especial do Ministério da Fazenda José Francisco Manssur. Segundo uma reportagem da Revista Veja de 2023, Manssur alertou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre um pedido de R$ 35 milhões feito por um deputado federal a uma associação de empresas de apostas. O dinheiro seria para defender os interesses do setor na regulamentação.
Ou seja, os parlamentares que no início pareciam estar dispostos a tentar resolver esse caos bradando bombas, agora mostram que na verdade trabalham com traque molhados.
Investigar e resolver esse caos parece não ser o objetivo dos nobres senadores. Ainda bem que os holofotes da mídia para eles desapareceram e somente a cobertura da TV Senado ainda faz os parlamentares não serem esquecidos.
