
O mês de junho está acabando e talvez tenha sido um dos mais tensos para o Ceará nos últimos tempos. A invasão dos torcedores ao treino do elenco profissional na tarde desta sexta-feira, no Estádio Carlos de Alencar Pinto, foi o estopim para uma relação que vem desgastada há um bom tempo.
A campanha do time na Serie B do Brasileiro, onde ocupa apenas a 11ª colocação e não ganha há 4 rodadas, e a não aprovação do Novo Estatuto no início deste mês de junho fizeram o torcedor alvinegro perder a paciência e a tolerância.
Não que invadir a atividade do elenco vá mitigar o martírio alvinegro ou fazer com que atletas e comissão técnica mudem a postura em campo e comecem a mostrar um futebol refinado, mas a atitude dos torcedores foge da razão e dá lugar a raiva, revolta e traz a tona o sentimento de que é preciso protestar e cobrar olho no olho dos que não estão – na opinião deles – “respeitando a camisa do Ceará”.
É verdade que boa parte desses torcedores, que são integrantes da maior organizada do clube, Cearamor, foram driblados pela delegação alvinegra no Aeroporto, na última quarta-feira, depois da derrota por 3×1 para a Ponte Preta, em Campinas. E assim, o que aconteceu hoje, a invasão, a cobrança e o protesto, talvez, teriam ocorrido no saguão do desembarque antes de ontem.
A revolta e a indignação dos torcedores são consequências também do momento administrativo do clube, que desde quando surgiram os escândalos na parte financeira parecem ter machucado ainda mais os alvinegros.
Afinal, o Ceará era referência em gestão administrativa e financeira e de um ano para o outro viu as manchetes sobre dívidas e mais dívidas surgirem sem ter a transparência necessária para pelo menos entender o que aconteceu.
No meio disso tudo, os alvinegros viram também o longo e cansativo processo de elaboração do novo estatuto ser conduzido para que o sonho do sócio torcedor votar para presidente, enfim acontecesse. Mas justamente há poucos dias da votação, viram o próprio presidente do clube e seus companheiros conservadores tentarem impedir que esse sonho fosse realizado.
Mesmo assim foi preciso a Justiça determinar que a Assembleia para votação fosse realizada e a democracia pudesse ser instalada em Porangabuçu, mas 112 conselheiros, incluindo o Presidente João Paulo Silva, votaram pelo Não.
O Ceará vive uma grave crise há quase 2 anos. Desde o rebaixamento para a Série A, que levou o ex-presidente Robinson de Castro à renúncia, essa tensão, esse conflito parece ser uma bola de neve que vai crescendo, crescendo e que é bom deixar claro foi criada pelos próprios dirigentes, que não tiveram competência para solucionar lá atrás, quando muitos apontavam que o caos estava se desenhando.
O novo treinador, julho e a janela de transferências estão chegando. Ou resolve agora, ou a bola de neve vai maltratar ainda mais um Gigante que adormeceu e nem com protestos e invasões parece que vai acordar.
