Clássico-Rei pela 1ª Fase do Cearense em 2023. Foto: Mateus Lotif/FEC

Outra vez, Fortaleza e Ceará (escrevo Fortaleza 1º, porque o mando é do time Tricolor) preteriram a arbitragem local e solicitaram um quarteto de fora para comandar o Clássico-Rei do próximo sábado pelo Estadual.

Claro que não foi a 1ª vez, pelo contrário, desde o século passado isso acontece, tricolores e alvinegros se acham no direito de desprezar o quadro de arbitragem cearense por acreditarem que forasteiros são melhores que os cearenses.

“É um direito, o regulamento permite e quem achar ruim que morda as costas”. Já ouvi isso de dirigentes em um passado não tão distante.

Não há a menor dúvida que há, sim, árbitros melhores que os cearenses em outras federações. O debate não é sobre isso, mas além disso.

O futebol cearense, nos últimos anos, passa por seu melhor momento em mais de 100 anos de existência. Nunca antes na história alencarina, os clubes locais conquistaram tanto êxito na base, no feminino e no masculino nas diversas competições regionais, nacionais e até internacionais.

Para muitos, pode até parecer estranho ler isso, mas não há futebol sem arbitragem. Segregar esse conceito chega a ser burrice, enquanto para alguns desavisados é pedantismo mesmo.

A arbitragem cearense, é verdade, não conseguiu acompanhar o mesmo ritmo dos clubes, mas fica a pergunta: como acompanhar se não há oportunidades?

Alguns dirigentes, contudo, contestam que houve, sim, várias chances, mas que não foram aproveitadas. E eles começam logo o discurso apontando erros, reclamando de atuações e provocando dúvida na honra de alguns.

Mal sabem eles que essa narrativa acontece da mesma forma em outros locais. Aliás, não precisamos nem procurar muito para encontrar acusações semelhantes dos mesmos dirigentes durante as competições nacionais contra árbitros, inclusive, que já foram escalados para comandar Clássicos-Rei. Mas não adianta elencar por esse viés.

Esse artigo tem como principal objetivo tentar sensibilizar os dirigentes dos 2 maiores clubes do Estado de que assim como qualquer atleta consagrado ou desconhecido, jovem ou experiente, forte ou fraco, rápido ou lento não é menosprezando ou preterindo seu trabalho que ele poderá crescer na profissão.

A arbitragem cearense precisa de paciência, respeito, compreensão e mais oportunidades para crescer e assim também fazer sucesso e se tornar referência como os clubes cearenses também são.

Por isso, deixo minha sugestão para que Fortaleza e Ceará possam dialogar com a Federação e a comissão de arbitragem para ajudarem a preparar 2 quartetos de árbitros visando a próxima temporada.

Fiquem tranquilos, alvinegros e tricolores, os custos dessa preparação será da FCF, a ideia passa por relatórios de atuações em competições locais, regionais e nacionais, sempre apontando os acertos e corrigindo os erros.

Com isso, quando o Estadual de 2026 chegar e o Clássico-Rei for marcado, vocês, dirigentes, possam entender e principalmente confiar que o futebol cearense também possui árbitros de qualidade para comandarem qualquer jogo local, inclusive o maior do Norte-Nordeste.