A notícia de que o meia Vina renovou contrato com o Ceará por dois anos e irá receber um salário de R$ 500 mil por mês levou a um grande debate entre os torcedores alvinegros nas redes sociais.

A informação dada pelo jornalista Sérgio Ponte, no programa Trem Bala, da TVC, causou um grande impacto. Jornalistas e torcedores de outros estados se surpreenderam com o valor salarial do atleta do Ceará. Alguns afoitos começaram a questionar se o clube alvinegro não estaria fazendo loucura? Se tem condições de bancar? Se não é um absurdo? Se o jogador vale isso tudo?

Como dizia, Jack (o estripador), vamos por partes. Primeiro, vamos falar do Vina. Principal nome do clube na temporada, maior goleador do Ceará numa edição de Série A, jogador com maior número de assistências no Brasileirão, além de um dos líderes do elenco, artilheiro e campeão da Copa do Nordeste.

Atualmente, Vina tem contrato com o Ceará até o fim de 2021 e recebe cerca de R$ 200 mil por mês. Seu salário é inferior, por exemplo, ao de Felipe Vizeu (que ganha algo em torno de R$ 250 mil mensais).

Vina já recebeu sondagens e propostas de outros clubes, com salários que ultrapassam os R$ 400 mil e vínculo por 2 anos. Ou seja, o camisa 29 alvinegro receber R$ 500 mil por mês neste mercado brasileiro inflacionado não é nada de outro mundo.

Vamos falar agora dos planos do Ceará para 2021. O clube alvinegro tem um orçamento de R$ 150 milhões para a temporada. O aumento é de 50%, já que em 2020, o orçamento foi de R$ 100 milhões. Só com o futebol, sem contar a categoria de base, o valor projetado é de R$ 100 milhões.

Segundo matéria do Diário do Nordeste, o clube quer investir R$ 12 milhões na aquisição de direitos econômicos e R$ 8 milhões com a contratação de atletas (luvas, comissões, produção), chegando a um total de R$ 20 milhões.  Ano passado, o gasto foi de R$ 11 milhões.

Dirigentes do Ceará já revelaram que pretendem “subir o sarrafo” e voar mais alto. O clube estava em 19º lugar no ranking da CBF, a idéia é ficar entre os 15 ao fim da temporada. Com o 4ª ano consecutivo na Série A do Brasileiro, o desejo agora é ser o maior clube do Nordeste. Para isso, o time precisa mudar o status no elenco e nos objetivos.

Em 2020, o clube já trouxe alguns jogadores com salário bem acima do padrão de anos anteriores: Fernando Prass, o próprio Vina, Rafael Sóbis e Felipe Vizeu.

Para 2021, a tendência é aumentar a qualidade do elenco e para isso o clube sabe que os salários vão inflar para equiparar com os outros concorrentes. O objetivo, então, é ir o mais longe possível na Sul-Americana, ganhar o Tri da Copa do Nordeste, voltar a disputar uma final de Copa do Brasil e ganhar uma vaga para a Libertadores.

Com objetivos e orçamentos traçados, o Ceará prepara sua folha salarial para 2021 sem romper com o que até hoje mostrou ser uma das maiores qualidades da atual gestão Robinson de Castro: pés no chão.

Nem quando o time padecia no Brasileirão de 2019 e o rebaixamento era dado como certo, a atual diretoria foi ao mercado fazer loucuras. Segurou a caneta, não abriu o cofre e apesar de todas as atribulações dentro de campo conseguiu permanecer na Série A.

Desde que assumiu o clube no final de 2015, com o time escapando da queda à Série C do Brasileiro na última rodada, Robinson de Castro levou o Ceará a outro patamar.

Foram 2 títulos estaduais, uma Copa do Nordeste, um  título de brasileiro de aspirantes, 4 anos consecutivos na elite nacional e várias transferências com jogadores da base e outros que pertenciam ao clube: Felipe Jonatan, Richardson, Everson, Artur Cabral, Arthur Vítor, Sandro Manoel, Valdo, além de uma meninada da base que está emprestada a outros clubes com direitos econômicos vinculados ao Alvinegro.

Se não bastasse, com as dívidas e obrigações trabalhistas e tributárias controladas, ainda criou a marca própria do clube e para completar reassumiu o comando do programa de sócio. Tudo que entra de valores relacionados à marca é do clube e fica no clube.

Se a ideia é segurar seu melhor jogador da temporada e não “entregar” a um provável concorrente, o Ceará vai ter de gastar e pagar alguns valores, que estão distante da maioria da realidade dos clubes do Nordeste. Para quem pretende se tornar a principal referência na região, não só fora de campo, mas também dentro das quatro linhas, R$ 500 mil por mês a um jogador, R$ 400 mil a outro, R$ 300 mil a outros dois e R$ 200 mil a mais três atletas parecem ser um caminho sem volta.

📸 Presidente do Ceará, Robinson de Castro, ao lado dos dirigentes do clube em Goiânia /Reprodução/Instagram