Eram 45 minutos do 2º tempo, quando Richard quase fez um gol contra em uma cobrança de falta do Bahia, em que a bola ia pra fora, mas o goleiro do Ceará acertou a trave. O 0x0 parecia inevitável em uma partida fraca tecnicamente.

O empate até seria um resultado justo pelo que os dois times apresentaram. Uma expulsão pra cada lado, uma bola na trave pra cada lado e muito respeito um ao outro. Aquele volume de jogo, que o Ceará gosta de apresentar seja no primeiro tempo, ou depois do intervalo, após a conversa com o Guto, não aconteceu.

Pelo contrário, o time se mostrou muito mais seguro no setor defensivo do que ousado no ataque. Vina, Mendoza, Lima e Vizeu não estavam inspirados e pouco produziram. Tanto que os quatro foram substituídos na etapa final.

Por outro lado, na parte defensiva, não dá pra negar o esforço até exagerado do quarteto e de todo o restante do time. Aliás, talvez seja isso, o grande fator de eficiência desse incrível Ceará: o elenco coeso, firme e seguro. Não custa lembrar que o Bahia tem o melhor ataque da competição e passou em branco.

Sem esquecer que o Vovô chega a 23 partidas sem perder e seis jogos sem sofrer gols na Lampions League.

Mas como escrevi anteriormente, o jogo se encaminhava para um 0x0 justo e fraco. Só que a mística da Copa do Nordeste voltou a aparecer para o Ceará. Lembram do gol do Ricardinho no primeiro jogo em 2015? Frangaço do goleiro Jean. Lembram da vacilada da zaga baiana no gol do Sobral em 2020? (Os vídeos com os lances estão abaixo)

Pois agora em 2021, tudo conspira de novo para o Vovô levar esse tri. O atacante Jael, havia entrado aos 42min do 2º tempo. E logo depois da bola na trave sofrida, o Ceará foi pro ataque, teve um toque de mão de Nino Paraíba e o camisa 9 foi pra cobrança junto com Bruno Pacheco.

O detalhe é que antes da falta ser cobrada, os zagueiros Luiz Otávio e Messias fizeram o mesmo movimento ensaiado semelhante ao gol em cima do Vitória, na semifinal passada. O que dava a entender que quem iria bater a falta era o lateral Bruno Pacheco.

Mas aí, a mística da Copa do Nordeste apareceu. Jael chutou, a bola desviou e foi morrer no cantinho. O gol que pode ser o do título alvinegro. O gol que pode ser o do Tri invicto, inédito e histórico.

📸 Fausto Filho/CearáSC