Foto: Lucas Figueiredo/CBF

O jeito tímido na frente das câmeras contrasta com alguém que é encantador. Os que conhecem Richarlison não poupam elogios ao capixaba de Nova Venécia, que saiu da pobreza para jogar a 1ª Copa do Mundo com 25 anos e ainda por cima com o número 9 nas costas.

Mas o peso de usar a camisa vestida pelo Fenômeno nem de longe assusta para quem driblou a falta de grana, as amizades de risco e conseguiu vencer na vida fazendo o que mais gosta.

“Eu e os meus irmãos morávamos numa parte pobre e perigosa da cidade. Vi muita coisa má como droga e violência. Era muito complicado, mas eu tinha anjos da guarda que me levaram sempre para o lado certo. Muitos amigos de infância não tiveram tanta sorte e acabaram na prisão, entraram no mundo das drogas e alguns até morreram. Graças a Deus e a essas pessoas que me ajudaram, fui ao futebol, que sempre foi o meu sonho, e consegui. Dar uma vida melhor à minha família e ter um futuro também. Sinto-me muito privilegiado e sortudo porque poderia ter sido diferente”, declarou ele certa vez.

Depois de passar por América/MG e Fluminense, Richarlison foi para o Watford, da Inglaterra, na temporada 2017/2018, atuou em 43 partidas e marcou 5 gols. O Everton, de Liverpool, viu a joia rara e pagou 45 milhões de libras (algo em torno de R$ 270 milhões).

Na cidade dos Beatles, o sucesso foi ainda maior. Mais de 150 jogos, mais de 50 gols e elogios de nada mais, nada menos que Carlo Ancelotti: “Richarlison é um atacante moderno, completo, porque é um atacante que trabalha muito”, disse o italiano, que o treinou no Everton.

Não bastasse, convocado para alguns amistosos da Seleção, depois campeão da Copa América de 2019 (mesmo depois de pegar caxumba e só ter jogado a partida Final, quando fez 1 gol de pênalti, o último da vitória por 3×1 sobre o Peru), ainda foi artilheiro nas Olimpíadas de Tóquio e ajudou o Brasil a ganhar a medalha de Ouro.

Neste ano, em julho, foi a vez dos londrinos do Tottenham gastar 50 milhões de libras (cerca de R$ 300 milhões) para Richarlison fazer dupla com Harry Kane.

Tudo isso poderia subir a cabeça de um garoto pobre do interior do Espírito Santo. No entanto, Richarlison faz justamente o contrário. Humilde, participa de causas sociais, defende os amigos de injustiças, é muito ativo nas redes sociais em apoio as minorias e pra completar e contrastar com o jeito tímido nas entrevistas tem um carisma para cativar qualquer um. Seja com corte de cabelo no estilo “Zeca Urubu” do desenho Pica-Pau, seja para inventar a coreografia do pombo.

A coletiva dessa segunda-feira, 21, no Estádio Grand Hamad, em Doha, a 3 dias da estreia do Brasil na Copa, comprova de forma brilhante, porque a camisa 9 está bem entregue.

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