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15º Dia em Doha foi mais do que especial. Foi novamente inesquecível. Como bem diz os boleiros: dentro e fora de campo. Ou como fala o Faustão: tanto no pessoal, quanto no profissional.

A terça-feira reservava Brasil x Coreia do Sul, então, eu decidi ir de metrô junto com os torcedores para poder encontrar cearenses. Nos outros 3 jogos, eu fui no ônibus com os jornalistas saindo do Centro de Mídia e ficava lá fora procurando. Quis mudar dessa vez para ver se teria mais sorte.

Outra mudança foi de Centro de Mídia. Aquele em que eu estou ficando e trabalhando é o exclusivo para jornalistas credenciados. Há outro também da Fifa para jornalistas que não são credenciados para a Copa. E são centenas de todo o mundo.

E assim como o outro (a qual vou abreviar para CMF) esse “novo” ( a qual vou abreviar de CMQ) é tão excelente ou melhor. O espaço é menor, aliás, bem menor, mas a estrutura montada é de dar inveja a qualquer redação ou centro de imprensa. Computadores, impressoras, estúdios à disposição dos jornalistas e muitos voluntários limpando e ajudando no que você precisar.

Eu realmente fico abismado com o cuidado, a atenção que todos aqui no Qatar têm em de alguma forma tentar ajudar, auxiliar ou contribuir para que você tenha as melhores condições de trabalho ou para chegar a seu destino ou para conseguir o seu objetivo. Além da beleza do País, é talvez o que vou levar de maior lembrança daqui.

Voltando ao cotidiano. Então, fui para o CMQ e fiz 2 matérias, depois fui almoçar. E o restaurante tem o mesmo estilo do outro e o mesmo valor, 53 catari para o buffet completo só que diferente do CMF, há sucos (tomei 3 copos de laranja) e há um chef fazendo massa na hora. Pedi uma macarronada bolonhesa ESPETACULAR.

Satisfeito, fui gravar um boletim para a TVC. Todas as salas estavam ocupadas, então, foi o jeito fazer no meio do saguão, no chão. Pois o meu tripé (que na verdade é emprestado e pertence à querida amiga Caroline Ribeiro) ficou no CMF. Sufoco pra fazer, alguns colegas passando e vendo aquela marmota, mas boletim feito e enviado.

Comecei a ver o jogo da Croácia e do Japão e como já estava nos minutos finai, esperei terminar o 1º tempo para pegar o metrô e ir ao Estádio 974. Como esperado, lotado, cheio de brasileiros e eu em busca dos cearenses. Infelizmente, não encontrei.

Ao chegar à estação do metrô no Estádio, fiquei do lado de fora e encontrei alguns colegas: Guilherme Pinheiro, Raísa Simplício, Cahê Mota e Leonardo Baran. Havia um voluntário com um megafone orientando as pessoas.

Então, o Guilherme Pinheiro, que estava vendo meu martírio para encontrar um cearense, disse que ia pegar o megafone. Eu dei a maior força. Ele falou com o voluntário e pegou megafone para começar a gritar por um conterrâneo meu. A ajuda peculiar encontrou paraibanos, piauienses, alagoanos, pernambucanos, mas, infelizmente, nenhum alencarino.

Ensinei aos colegas a gritar a famosa vaia cearense, eles fizeram, mas nada de ninguém responder. Alguns paulistas tentaram imitar, mas quando soltaram as primeiras palavras, o sotaque carregado do interior denunciou a fraude.

Sem sucesso, fui para o Estádio. No Centro de Imprensa, completamente lotado, abarrotado, não encontrei lugar para sentar. Vi o final da prorrogação e as cobranças de pênaltis em que os croatas ganharam dos japoneses.

Depois, subi para a Tribuna de Imprensa para buscar o meu lugar. Fiz mais uma matéria. Em seguida, foco no jogo. Em 30min, o Brasil resolveu tudo e classificação garantida para as quartas de final já no 1º tempo. A etapa final foi só protocolar, ou para os que me conhecem mais a fundo, foi um 2º tempo apenas para colorir.

Tentei sair logo após o apito final. Filmei uma rápida comemoração dos jogadores perto da torcida e eles exibindo a faixa de apoio ao Pelé. Em seguida, correria para pegar um lugar decente na sala de coletiva.

Não fiquei de frente, mas do lado, na 1ª fileira. Quando soube que Neymar viria e participaria da coletiva, já imaginava que o mundo todo estaria presente para perguntar ao camisa 10.

Depois da coletiva do técnico da Coreia, o português Paulo Bento, enfim, chegaram Neymar, Tite e César Sampaio. Comecei a levantar o braço desde o início para ver se conseguiria fazer uma pergunta.

Deu tudo certo, na reta final, acho que fui o penúltimo, o oficial da Fifa permitiu que eu fizesse a pergunta ao técnico Tite. Claro que o nervosismo bateu forte, coração disparado. Já havia perguntando ao Casemiro no jogo contra a Suíça e não tinha ficado tão nervoso.

Creio que pela atmosfera toda criada, pelo auditório estar completamente lotado com jornalistas do mundo todo, por ser um jogo de oitavas de final e por ser ao treinador, senti a responsabilidade. Deu tudo certo! Emoção e felicidade que não cabiam no peito.

Missão cumprida. Outro sonho realizado. Rapidamente, me refiz, voltei pra Terra e corri para o centro de imprensa para gravar vídeos e fazer outra matéria. Procurei meu fone de ouvido e não achei. Imaginei que havia deixado na sala de coletiva.

Encontro os voluntários, que já tinham deixado o auditório. Mas uma senhora me atendeu muito bem, foi atrás do funcionário responsável, me levou até ele, que foi comigo até a sala, mas infelizmente não estava lá. Não sei onde deixei. E agradeci demais ao senhor, de nome Sadih, que conhece uma brasileira de nome Matilda. O sorriso dele ao mostrar a foto parecia ser mais do que amiga.

Depois, peguei o ônibus, adrenalina lá em cima ainda. Eram 2h45, quando cheguei ao CMF, não precisava da correria do jogo passado para pegar o metrô, mas cheguei em cima do horário, 2h57, descendo das escadas com o transporte chegando… UFA!

Fui para o hotel, conversei com os familiares, e, mesmo cansado, o sono demorou para aparecer e só dormi por volta das 5h30. E precisava descansar, porque esta terça-feira, promete também. Enfim, vou ver Cristiano Ronaldo. Espero que assim como foi com Messi, eu consiga pelo menos gravar algo com o astro português na zona mista. Conto tudo no dia 16.