Time Sub-20 da Seleção em treino com o técnico Ramon Menezes. Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Coluna A Base Vem Forte

Em 2023, as Seleções Brasileiras Sub-15, Sub-17 e Sub-20 foram convocadas respectivamente pelos treinadores Dudu Patetuci, Phelipe Leal e Ramon Menezes. Dos 70 atletas chamados, apenas 1 pertence a um clube do Nordeste: o lateral-direito André Dominique (do Bahia).

André joga no Bahia e foi um dos 21 atletas chamados para a Copa do Mundo Sub-20, que acontece na Argentina. Inclusive, o Brasil perdeu na estreia para a Itália, por 3×2, e joga hoje diante da República Dominicana, às 18h, no Estádio Malvinas Argentinas.

A exceção do jovem André só confirma a regra. CBF e Seleções Brasileiras preterem jogadores de clubes do Nordeste. Qual o motivo de não haver um rodízio com atletas de outros clubes, como por exemplo, numa Seleção Sub-15? Qual a razão de não haver uma avaliação mais profunda ou um trabalho de capacitação para jovens de outros times, que não sejam do “eixo”?

Os exigentes vão apontar que Seleção Brasileira é para ir os melhores. Eu respondo que se você acredita nisso, você deve acreditar em Papai Noel também. Nem na principal vão os melhores, quanto mais nas categorias de base, onde o mundo de intermediários, agentes e empresários é muito mais feroz do que no profissional.

É óbvio também que vão aparecer os elitistas com argumentos rasos, desculpas engessadas e exemplos fora do contexto lembrando que os clubes precisam de uma estrutura melhor para criarem “marra” e aparecerem na Seleção.

Claro que é esse meio é injusto. Como já escrevi várias vezes, o objetivo é minar o alicerce, desamparar a base e impedir o crescimento. Não tem como criar uma estrutura, um equilíbrio com tanta desigualdade dessa forma. A segregação é notória.

E o efeito é em cascata. Começa lá de cima e vai descendo até as categorias iniciais. Os olhos daqueles que comandam o futebol brasileiro não enxergam, não assimilam e, principalmente, não querem dar espaço para outra fonte. Ainda mais uma em que é formada longe de onde possam controlar e mandar.

Minha esperança é haver um grito forte de quem possa se rebelar. Jogadores como Hulk, Firmino, Ayrton Lucas, que estão na ativa, são nordestinos e não escondem as raízes. Ou quem já parou como Juninho Pernambucano, Dida e Rivaldo.

Enquanto isso, vou seguir escrevendo, cobrando e exigindo que os dirigentes da CBF e os treinadores das Seleções de base tenham consciência do que estão fazendo e saibam que no Nordeste há tanto talento, quando em qualquer outra Região, inclusive na do “Eixo”.