
O que foi que aconteceu com as diretorias de Ceará e Fortaleza para não explicarem como se afundaram em dívidas, desistiram de prestar contas e abandonaram a transparência.
Será se os dirigentes alvinegros e tricolores acreditam que o torcedor é tão besta assim a ponto de acharem que só o que importa é o resultado dentro de campo?
A queda para a Série B mostrou que não é bem assim, não é à toa a revolta dos torcedores com a SAF do Fortaleza e os protestos à gestão de João Paulo Silva no Ceará.
O rebaixamento no final do ano passado provocou uma verdadeira tragédia administrativa e financeira para os 2 maiores clubes do Estado.
O Fortaleza afirmou que a divída é de R$ 300 milhões e que o dinheiro acabou.
Como acabou? Quantos sócios o clube têm? Quais valores recebeu em negociações de atletas? Quanto os patrocínios rendem? Quais são os ativos do clube? Por que se desfez de vários jogadores das categorias de base?
O Ceará apresentou o balanço de 2025 com o maior défict da sua história, mais de R$ 80 milhões.
Como é que chega a um montante desse sem ter feito uma contratação de impacto? Sem ter feito nenhuma extravagância dentro e fora de campo?
Veja só, o Ceará afirmou em nota oficial em 02 de maio deste ano, que tinha R$ 36 milhões a receber.
Onde está esse dinheiro? Por que, então, precisou vender uma das joias da base, o atacante Giulio por menos de R$ 3 milhões? Por que o clube deixou atrasar 2 meses de salários e direitos de imagem ao elenco?
Os questionamentos são válidos não para duvidar da idoneidade dos dirigentes, mas simplesmente para exigir algo que é pedra fundamental na administração de qualquer instituição esportiva ou empresarial: transparência.
Não é à toa que outros clubes estão afundados em dívidas impagáveis por falta de transparência, justamente pela má administração e pela falta de capacidade e competência em trabalhar num ambiente de pressão e resultados.
Como é que há 3 anos, esses 2 clubes eram referências em gestão e hoje se transformaram em agremiações que não revelam se quer o valor e o precentual da negociação de um atleta?
O caminho para o sucesso requer subir uma montanha íngrime, com três pilares fundamentais: dedicação, competência e transparência. Como ambos fizeram muito bem para permanecerem algumas temporadas seguidas na elite do futebol brasileiro.
No entanto, o percurso para o fracasso exige apenas que 1 dos tripés quebre e aí os outros 2 também vão ao chão, parece que os 2 clubes escolheram preterir a transparência para seguirem a jornada oposta ao da prosperidade.
