Os personagens dessa partida sem dúvida alguma são os treinadores. João Brigatti, do Santa Cruz, e Enderson Moreira, do Fortaleza. Inclusive, ambos quase se estranharam durante o segundo tempo.

O treinador do Fortaleza foi reclamar do colega, devido aos jogadores do Santa fazerem muita cera e caírem muito no chão para atendimento médico. Brigatti respondeu que eles estavam machucados. Enderson disse que era conversa. Brigatti gritou para o colega tricolor ficar na dele, pois falava demais. Aí, foi o estopim para começar a chuva de palavrões, ameaças de invadir a área técnica e tomar satisfação. Wellington Paulista e Luís Fernando surgiram também, meio que para apartar, meio que para bota panos quentes, mas depois todos se acalmaram e voltaram a prestar atenção na partida.

João Brigatti parecia ter um alto falante na garganta. Com isso, seus gritos ecoavam pelo Castelão. Não parava em pé, de vez em quando ia até o banco e conversava com alguém da comissão para lamentar algum erro. Incentivava bastante seus atletas, mas também pegava no pé de outros. O atacante Léo Gaúcho e o lateral Marcel eram os mais acionados: “Puta que Pariu, Marcel. Em cima, porra! Marca! Aqui! Vamo, caralho! Gaúcho, ô Gaúcho, lá em cima! Meu Deus! Agora, vai pra cima! Toca, porra!”.

Enderson Moreira, sem o mesmo poder vocal que o colega do time coral, assistia ao jogo ou em pé ou acocado. Os gritos, poucos, eram para pedir mais atenção e fazer com que o time reagisse. Já o auxiliar Luís Fernando começou vendo o jogo sentado no banco, mas em seguida ficou ao lado em pé. Depois, tirou a máscara e sempre tentava passar uma orientação para Enderson ou gritava com a equipe.

O time do Santa Cruz já estava em campo às 21h20, 10 minutos antes do início da partida. Entrou primeiro que o quarteto de arbitragem. O Fortaleza só entrou às 21h25.

Aliás, segundos antes da bola rolar, Enderson Moreira foi até o totem com álcool em gel ao lado do banco de reservas e lavou as mãos. Depois, voltou para a área técnica, com o jogo já iniciado.

Com pouco menos de 5 minutos de partida, o goleiro reserva do Santa Cruz, Felipe Silva, foi aos vestiários. Quando voltou, apareceu com uma toalha e uma garrafa de água. Andou lentamente até a trave do colega Jordan e entregou a ele. O titular, que havia esquecido, deixou o kit no chão ao lado da placa de publicidade.

A cada grito de orientação de João Brigatti, Enderson Moreira olhava para o colega. Não dava pra saber se admirado, assustado ou tentando absorver as informações passadas tão claras pelo adversário.

Dessa vez, ninguém com luvas coloridas. Médico do Fortaleza, Rodrigo Oliveira, usou as da cor bege. Assim como os massagistas, gandulas e também o estafe do Santa Cruz.

Apesar do gramado do Castelão bem mais molhado, por causa da chuva no começo da noite, somente o atacante Wellington Paulista foi ao banco trocar de chuteiras, por volta dos 30 minutos.

Em um lançamento errado do volante Juninho, em que pediu desculpas aos colegas, Enderson Moreira se virou, baixou a cabeça e, furioso, arremessou com força para o chão a garrafa de água que estava nas mãos.

Diferentemente de outros jogos, os dirigentes e funcionários do Fortaleza, que ficam no setor premium, não gritaram tanto nessa partida. Nada vai se comparar ao que aconteceu no Clássico-Rei da semana passada. Mas nesse contra o Santa, os gritos foram tímidos. A primeira investida pra valer somente aos 39min do 1º tempo em uma falta não marcada pelo árbitro em cima de Wellington Paulista. Naquele estilo “cearensês” de ser: “é só gritar que ele marca!”.

O tempo regulamentar da primeira etapa nem tinha acabado, e os jogadores do Santa saíram do banco e foram para o aquecimento atrás das placas de publicidade.

Quando começou o intervalo, todos do banco do Santa foram para os vestiários. Os reservas do Fortaleza ficaram no campo. Somente depois de um bom tempo é que foram para os vestiários. Antes de ir, o goleiro tricolor Marcelo Boeck passou pelo banco e lavou as mãos com álcool.

O volante Ronald, do Fortaleza, foi falar com o colega de posição Juninho, que se encaminhava para o vestiário. O papo, claramente, era sobre posicionamento, com Juninho, talvez, tentando explicar os motivos da dificuldade do primeiro tempo.

O goleiro Jordan foi o primeiro a voltar para o Segundo Tempo. Depois, o trio de arbitragem e em seguida o time do Santa. O Fortaleza ainda demorou pelo menos uns 3 minutos a retornar.

Juba e Stella, mascotes do Fortaleza, só voltaram para o segundo tempo, quando o jogo já estava com seis minutos. Vale destacar que Juba incentiva, grita, reclama da arbitragem, bate palmas, enfim, é literalmente um torcedor. Em lances de perigo, levanta os braços passando energia. Em um determinado momento, o goleiro Felipe Alves, lá da área, olhou para os dois e fez uma cara de quem perguntava: tão gostando?

Ao sair de campo, após ser substituído, o meia Luiz Henrique se encaminhava para o banco de reservas. Mas o camisa 8 do Fortaleza mudou a rota, foi cumprimentar o treinador Enderson Moreira e depois o auxiliar Luís Fernando e só depois se dirigiu ao banco para sentar.

Um integrante do banco de reservas do Santa Cruz atravessou o campo com três copinhos de água, foi até a trave do goleiro Jordan e encheu a garrafinha do camisa 1, que dessa vez não esqueceu a toalha durante o intervalo.

Ao ver o gol do Santa, Enderson Moreira se virou, ficou cabisbaixo e balançou a cabeça negativamente. Dirigentes do Fortaleza demonstraram uma pequena irritação com o gol. Wellington Paulista foi quem pegou a bola e levou para bater o centro.

O telão, do lado direito, o único que fica ligado, não mostrou mais problemas. Seguiu firme sem ficar mais com a tela preta como em outras partidas.

Com o cai cai de alguns jogadores do Santa, o auxiliar Luís Fernando gritou desesperado para o atacante Wellington Paulista cobrar do árbitro acréscimos: “Fala com ele. Fala com ele. Se não ele vai dar apenas 4 minutos”. O árbitro, ao lado de WP9, da pequena área do Santa Cruz, ouviu e retrucou: “Eu ouvi. Não precisa falar pra ele. Eu sei. Eu sei que tem de dar acréscimos”.

Apos as entradas de Lucas Crispim e Isaque, as 5 substituições foram feitas no Fortaleza. Os jogadores reservas, que estavam no aquecimento, foram para o banco, menos Boeck, que ficou vendo o jogo e incentivando os companheiros em campo, e o volante Ronald. Este ficou ainda uns 10 minutos correndo e se exercitando. Só depois foi para o banco.

Aliás, Ronald pegou uma cadeira e ficou ao lado do banco vendo o restante da partida.

Ao ver a placa de substituição, Wellington Paulista correu direto para o banco e antes de deixar o campo, deu a faixa de capitão para Romarinho.

Um dos estreantes da noite, pelo lado do Fortaleza, Yago Pikachu foi substituído na etapa final e deixou o campo exausto. Ele saiu pela linha de fundo. Ao caminhar para o banco de reservas, os oito fotógrafos presentes no setor premium dispararam o botão das câmeras. O som das máquinas lembrava mais uma metralhadora com tantas fotos registradas.

Ao ver o quarto árbitro mostrar oito minutos de acréscimos, João Brigatti chamou-o e ficou conversando demoradamente com o juiz reserva.

Ao perceber que era só a bola entrar em jogo para o árbitro acabar a partida, Brigatti se virou para o banco e gritou: “começou a nossa virada, hoje!”. O apito tocou e ele abraçou os companheiros de time.

A equipe médica da Unimed dessa vez não ficou nas cadeiras. Optou por assistir à partida o tempo todo dentro da ambulância.

Após o fim do jogo, Enderson Moreira foi conversar com o trio de arbitragem. Reclamou alguns pontos e depois foi para o vestiários.

Aliás, depois da partida, confraternização e cumprimentos entre os jogadores. Nada de hostilidade ou provocação. Uma saída bem amistosa das duas equipes.

O volante Caetano, do Santa Cruz, foi um dos últimos a sair. Após o fim do jogo, ele se deitou no chão. Membros da comissão técnica foram ajudá-lo com toalhas sendo abanadas e levantando as pernas do atleta. Parecia extenuado e com câimbras.


📸 Karim Georges/FEC

📸LC Moreira

📸 Mário Kempes