Em 6 de dezembro do ano passado, o coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+ protocolou, no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), 7 Notícias de Infração contra 8 clubes por cantos homofóbicos de torcedores do Ceará, Fluminense, Internacional, Náutico, Atlético/MG, Remo, Paysandu e Corinthians por ato discriminatório.

Os casos foram analisados pelo procurador-geral do STJD, Ronaldo Piacente, que decidiu arquivar todas as denúncias. Em nota no site do Tribunal nessa quarta-feira, 19, foi explicado o motivo do arquivamento.

“A Procuradoria tem se empenhado para combater todos e quaisquer atos discriminatórios no futebol, porém existem regras processuais a serem respeitadas no nosso ordenamento jurídico, entre elas a capacidade para estar em juízo, ser jurisdicionado da Justiça Desportiva. Estando ausente algum dos requisitos, como o caso do Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ, não há como prosseguir com a denúncia“, explicou a nota.

Abaixo, confira as denúncias feitas contra o Ceará pelo movimento.

Na partida contra o Corinthians, em 25/11, realizada no Castelão, torcida, jogadores e diretoria do Ceará proferiram cantos com palavras de cunho homofóbico. Segundo o Coletivo das Torcidas LGBTQ, em vídeo juntado, é possível ouvir um coro gigantesco gritando: “A tuf é gay” e “matador de leão e come c* de tufgay”, se referindo ao clube adversário, Fortaleza.

Na partida contra o Sport, no dia 14/11, a torcida repetiu o canto no Castelão, e o presidente do clube, Robinson de Castro aparece em um vídeo segurando um telefone em referência a música. O mesmo canto foi proferido na partida contra o Fortaleza, realizada em 17/11. No vídeo foram identificados os jogadores Vina, Gabriel Dias, Messias, Luiz Otávio, Cléber, Lima, Fernando Sobral Lacerda e Rick, além do presidente do clube, Robinson de Castro.

Vale lembrar que ano passado, o Flamengo foi denunciado por cânticos homofóbicos durante a partida contra o Grêmio no Maracanã e acabou multado em R$ 50 mil pela Primeira Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol. O clube recorreu da decisão e caso ainda vai ser julgado pelo Pleno do STJD.

📸Ascom/CearáSC
📸Reprodução/Facebook