Sempre que há uma polêmica envolvendo algo com os times cearenses, o jornalista Alan Neto gosta de soltar a seguinte frase em sua coluna no jornal O Povo ou no seu programa Trem Bala, no rádio e na TV: “Se o futebol cearense não existisse, ele precisaria ser inventado”.

Neste momento, o futebol cearense, ou melhor, o Campeonato Cearense passa por um dos momentos mais difíceis da sua rica história centenária. Se não bastasse, o famigerado Estadual de 1992, quando – de forma inédita no Brasil e no mundo – 4 times foram declarados campeões (Ceará, Fortaleza, Icasa e Tiradentes) e o não menos badalado Campeonato de 2002, com o caso David Madrigal, a competição deste ano está mergulhada no gravíssimo caso da suposta manipulação de resultados.

“O Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol tomou iniciativa em relação ao jogo entre Crato e Caucaia. As evidências são fortes de acerto financeiro. O Nudtor há muito tempo vinha trabalhando nesse problema. Ano passado determinamos abertura de investigação em relação ao Caucaia e Barbalha. Esses dois procedimentos estão em tramitação, em fase investigativa. Precisamos agir com responsabilidade. Os áudios são gravíssimos que confessam a existência do crime. Resta saber se essa pessoa já foi identificada, e ela já foi. Ontem (24/1) mesmo tive uma reunião com o procurador geral da Justiça Manuel Pinheiro. Estamos traçando diretrizes conjuntas para que a gente tenha uma eficácia mais rápida”, declarou Edvando França, o Promotor de justiça e coordenador do Núcleo de Desporto e Defesa do Torcedor (Nudtor) do Ministério Público do Estádio do Ceará, em entrevista à Rádio O Povo/CBN.

Em meio ao caos, os torcedores questionam se o Campeonato poderá ser anulado ou, então, ser suspenso. Afinal, em 2005, a Série A do Brasileiro teve 11 jogos anulados e disputados novamente, por haver suspeitas de que os resultados das partidas foram manipulados. Na época, o escândalo ficou conhecido como a “Máfia do Apito”, devido à participação dos árbitros Edilson Pereira de Carvalho, protagonista, e Paulo José Danelon.

O Presidente da Federação Cearense de Futebol, Mauro Carmélio, acha que é muito cedo para tomar qualquer medida drástica, mas acredita que não vai ser preciso anular as partidas.

“O campeonato ser suspenso, não. A área desportiva é uma coisa, a área criminal é outra. Isso é crime. O que está ocorrendo nos bastidores, nos vestiários, nos hotéis, isso é crime. Dentro do campo, não. Não posso, através de uma suposição, dar uma canetada e suspender o campeonato”, afirmou o dirigente em entrevista à Rádio O Povo/CBN.

Até agora, foram realizadas 6 rodadas da 1ª Fase do Estadual com 24 partidas disputadas. O líder é o Caucaia com 16 pontos, o último colocado é o Crato com 4 pontos. Vale lembrar que Ceará e Fortaleza só entram a partir das quartas de final.

A 7ª Rodada acontece nesta sexta-feira com mais 4 jogos, entre eles Atlético x Pacajus, Icasa x Iguatu, Ferroviário x Crato e Caucaia x Maracanã. A 1ª Fase está prevista para acabar em 19 de fevereiro. As quartas de final estão marcadas para acontecer nos dias 22 e 25 de fevereiro. As semifinais em 28 de fevereiro e 15 de março e as duas finais em 18 de março e 03 de abril.

📸Pedro Chaves/FCF
📸Michael Douglas/CaucaiaEC
📸Carlos Roosewelt