Preconceito Na Base

Não é de hoje que os clubes do Norte e Nordeste do Brasil são preteridos em convocações para a Seleção Brasileira. Tite, atual treinador da equipe nacional, segue um padrão que vem de longas datas e por mais que haja um destaque, é praticamente impossível o atleta ser chamado para vestir a amarelinha. Que o digam Vina (pelo Ceará, que integrou a seleção do Brasileirão em 2020) e Pikachu (pelo Fortaleza, que integrou a seleção do Brasileirão em 2021).

O problema parece que se estendeu também para a base. Neste início de temporada, as seleções brasileiras Sub-17 e Sub-20 foram convocadas. 52 atletas no total. Adivinha quantos jovens atletas de clubes do Norte e do Nordeste deste Brasilzão foram chamados?

Apenas 1. O lateral André Dhominique, do Bahia. E olhe lá se essa convocação não tiver sido apenas porque a Seleção Brasileira Sub-20 irá fazer amistoso em solo soteropolitano. Do contrário, era capaz de mais uma vez não haver nenhum integrante nordestino ou nortista.

Esse desprezo, passa também por preconceito e discriminação. Não é possível que no Maranhão, no Pará, no Ceará, no Amazonas ou na Paraíba não há um atleta de 16, 18 ou 19 anos mostrando qualidade para ser chamado para uma seleção de base. O CEP pesa demais. E ressalto aqui que não estou falando em uma convocação para disputar a Copa do Mundo da categoria (apesar de que alguns deveriam), mas pelo menos ser chamado para participar de uma preparação, se ambientar ao meio e obviamente enriquecer o trabalho da Região. E não privilegiar clubes que já têm recursos ou política.

Branco, lateral tetracampeão, é o coordenador da seleções de base, Ramon Menezes é o treinador da equipe Sub-20 e Phelipe Leal do time Sub-17.

O debate está começando, na próxima semana, o assunto vai continuar aqui na coluna para mostrar as soluções à CBF, Federações e clubes para acabar com esse preconceito, fomentar a base nas duas regiões e parar de privilegiar apenas a elite.

Coluna A Base Vem Forte Nº 9

📸Bruno Pacheco/CBF
📸Márcio Mensasce/CBF