Apesar de tudo o que aconteceu e principalmente do que vai ocorrer na próxima segunda-feira, dia 25, a partir das 9h, o Campeonato Cearense vai ser concluído no campo. Nesta sexta e no próximo domingo, 24, Fortaleza e Caucaia disputam os dois jogos das Finais para saber quem será o grande Campeão Estadual de 2022.

É por isso que o Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol do Estado do Ceará (TJDF/CE) vai precisar muito mais do que usar as Leis, que regem o CBJD, para julgar e decidir sobre o Campeonato Cearense, será necessário principalmente usar algo que é clamado com insistência por entidades e pessoas envolvidas no esporte: Fair Play.

Longe de ser algum rábula ou até mesmo um assumido apreciador das Leis, Direitos e Deveres. Não é isso, mas depois do que aconteceu na última terça-feira, 19, não é possível que os auditores do TJDF não consigam sentir um pouco de opróbrio pelas apresentações, falas e fatos ocorridos no auditório da OAB-CE com a presença do Presidente da Ordem (Secção Ceará): Erinaldo Dantas.

Não vou entrar no mérito do processo, nem muito menos dos “supostos” erros e manipulações que possam (ou devem) ter ocorrido e cometidos por clube (s), dirigente (s) e até atleta (s). Não é esse o motivo deste artigo.

A sensação que os nobres auditores passaram foi de uma desordem e um atenuante e ao mesmo tempo arroubo de macular a imagem não apenas do Campeonato Estadual, mas do próprio Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol Cearense. Recebi ligações e mensagens (de áudio e de texto) de advogados, dirigentes e até jogadores completamente estupefatos com a condução do julgamento naquele 19 de abril.

O passado decoroso que cada auditor possui em seus respectivos expedientes longe da esfera esportiva deveria, sim, entrar em campo, ou melhor, em julgamento. O problema é que esse passado ou até mesmo presente digno ultrapassa a fronteira do labor e percorre o caminho de quem parece estar em uma arquibancada torcendo ou distorcendo.

O futebol vive de paixão, de rivalidade, de amor, mas quando esses sentimentos cegam, é a Justiça quem veste a camisa e entra em campo para trazer a luz. E se não houver equilíbrio, virtude, retidão e Fair Play da Justiça, o futebol vira um Clássico, mas de Maquiavel, onde “Os Fins Justificam Os Meios”.