
Eu sabia da situação financeira delicada do Fortaleza, mas não imaginava que tivesse chegado ao ponto de estar falido e precisar de um investidor para comprar o futebol do clube.
A EXA Capital, empresa contratada pela SAF do Fortaleza para fazer uma consultoria, apresentou aos conselheiros do clube a real situação financeira da agremiação e expôs o caos.
O Fortaleza Esporte Clube está uma terra arasada. Esse foi o sentimento de vários conselheiros ouvidos pelo Blog sobre a apresentação da consultoria.
Aliás, conselheiros ouvidos pelo Blog informaram que contrato da EXA com o FEC é de 3 meses por R$ 120 mil, divididos em 3 parcelas de R$ 40 mil.
A dívida, (aparentemente) impagável, pode chegar aos R$ 400 milhões ao final de 2026.
Só transferban, o clube pode sofrer 10 até a próxima temporada com 3 a se vencer ainda neste ano, ao custo de R$ 26 milhões.
Mesmo após o empréstimo obtido de R$ 20 milhões há 2 meses, o clube só consegue honrar seus compromissos do cotidiano até novembro, não há dinheiro para pagar as contas em dezembro e fechar o ano.
Em meio a esse caos financeiro, algumas pontas estão soltas e faltam alguém explicar.
- Jogadores como Pochettino, Mancuso, Kuscevic, Kauan, Guzman e vários outros, que estão emprestados não podem render milhões ao clube?
- Qual o motivo de querer vender agora, faltando 9 rodadas para o fim da Série B?
- Por que não entrou em Recuperação Judicial em abril deste ano, quando a CBF beneficiou as SAFs que aderissem à RJ?
- Aliás, a Recuperação Judicial não deveria ser a 1ª opção, antes de vender a parte majoritária da SAF?
- Quem eram os membros do Conselho Fiscal, do Conselho Deliberativo e do Conselho da SAF que aprovaram os orçamentos e balanços para a dívida crescer e chegar a esse ponto de se tornar impágavel?
- Por que a EXA Capital tem percentual no valor que o investidor comprar a parte (minoritária ou majoritária) da SAF?
- Porque a EXA Capital tem percentual no valor de acordos comerciais que o Fortaleza fizer a partir de agora?
- A dívida do clube no Início de 2027 é com o Fortaleza na Série A ou na Série B?
- Por que não foram revelados os ativos do clube, que estão no mercado.
- Quais são as receitas do clube até o final deste ano e para a próxima temporada?
SAF é Futebol
O mais desavisado pode entender que vender “a parte majoritária” da SAF do Fortaleza pode ser apenas um termo economês.
Só que traduzindo para o futebolês (não o do Sistema Jangadeiro, mas para o linguajar do futebol), é vender o futebol do Fortaleza Esporte Clube.
Atualmente, o Fortaleza EC SAF comanda o futebol do clube. Quem comanda o FEC SAF é o próprio Fortaleza (conselho deliberativo e diretoria executiva do clube).
O estatuto do Fortaleza Esporte Clube é bem claro. O FEC SAF só pode negociar/vender até 49% das ações.
Ou seja, o Estatuto garante que o Fortaleza Esporte Clube é quem manda no FEC SAF, mesmo que seja vendida “a parte minoritária” até 49%.
No entanto, porém, contudo, todavia, o objetivo agora no clube é para alterar o estatuto e “a parte majoritária” do FEC SAF também ser vendida.
A Lei da SAF, criada em 2021, permite que “a parte majoritária” vendida seja de no máximo 90%. Os outros 10% ficam com o clube associativo.
Assim, se o Estatuto do Fortaleza for alterado para permitir a venda da “parte majoritária” (a partir de 51%), o Fortaleza Esporte Clube não irá mais controlar o FEC SAF, nem o futebol do clube.
Quem vai controlar o futebol do Fortaleza Esporte Clube é o investidor que comprou “a parte majoritária” do FEC SAF.
Com isso, quando falam comprar “a parte majoritária”, é na verdade: comprar e controlar o futebol do Fortaleza Esporte Clube.
Alteração no Estatuto
Alguns conselheiros ouvidos pelo Blog afirmam que para alterar o estatuto do Fortaleza Esporte Clube é necessário convocar uma assembleia geral.
Nesta assembleia é obrigatório que 50% dos conselheiros e sócios-torcedores aptos a votar participem.
Ou seja, se no periodo da Assembleia Geral, o FEC possuir (por exemplo) 1000 conselheiros e 2000 sócios torcedores (total de 3000) aptos a votarem, 1500 (50%) precisam participar da Assembleia Geral.
E a partir destes 1500, é necessário que 85%, ou seja 1275, precisam aprovar a mudança.
