O Futebolês fez uma entrevista com o treinador do Fortaleza, Enderson Moreira. O jornal O Povo fez uma entrevista com o treinador do Ceará, Guto Ferreira. O Sistema Verdes Mares entrevistou o novo diretor de futebol do Fortaleza, Alex Santiago.

O que era para ser algo corriqueiro e até normal nos meios de comunicação, se tornou a exceção. Conversar com um jogador, um treinador ou membro do departamento médico virou algo raro e muitas vezes quase impossível de acontecer.

A relação dos jogadores que viajam para determinada partida não é informada. Nem mesmo quando a partida acontece em Fortaleza. A lista dos atletas, já com a escalação do time, somente é divulgada uma hora antes do início do jogo.

O famoso boletim médico com informações sobre o setor, onde jogadores podem estar machucados, lesionados ou se recuperando de alguma enfermidade, e até com COVID, só é divulgado no grupo de imprensa do whatsapp de cada clube, momentos antes da partida começar.

Entrevista coletiva com treinador, um dia antes da partida, não existe mais. Entrevista coletiva com treinador, após a partida, não é feita de forma ao vivo, e apenas é realizada através de perguntas via grupo de whatsapp. Sem direito a réplica. E se o treinador não responder ou falar algo completamente diferente da pergunta, só é possível saber depois que a coletiva é divulgada, já concluída.

O Blog tentou saber o número de jogadores de Ceará e Fortaleza que haviam pegado COVID. Só pra esclarecer, o Blog não quis saber quem, apenas a quantidade de atletas, que já tiveram a enfermidade. Nenhum dos dois clubes quis informar.

Com a Pandemia, os protocolos de segurança sanitária impedem público nos estádios, limitam o trabalho da imprensa nos jogos e também nos treinos. Repórter, fotógrafo, cinegrafista, seja de qualquer plataforma (jornal, rádio, revista, TV, site, blog ou redes sociais), não têm mais acesso às atividades dentro dos clubes.

As entrevistas diárias com jogadores disponibilizados pelas assessorias de comunicação também não são realizadas ao vivo e são feitas ou enviando áudio por email ou participando de um grupo de whatsapp.

Em dia de jogos, os veículos de comunicação são limitados a duas pessoas, com exceção das detentoras de direitos de transmissão. Repórteres, cinegrafistas e fotógrafos não podem ficar na borda do campo e se quiserem acompanhar a partida, precisam ficar nas arquibancadas. (mais uma vez, as emissoras detentoras de direitos de transmissão podem deixar os repórteres e cinegrafistas na borda do campo).

Nesta sexta-feira, 12, os repórteres Alisson Lima, da Rádio Expresso FM, e Danilo Queiroz, do Futebolês (Sistema Jangadeiro), noticiaram que o goleiro João Ricardo, do Ceará, não viajou para Teresina, onde o time alvinegro enfrenta o altos/PI, neste sábado, pela Copa do Nordeste, porque pegou COVID e ficará isolado por 10 dias.

Com a informação divulgada e no meio do mundo, o repórter Guilherme de Andrade do site Futebol Cearense questionou a assessoria de comunicação do Ceará, que respondeu que o boletim do Cesp (Centro de Saúde e Performance) só sai uma hora antes da partida.

A pandemia já matou milhares de pessoas no Brasil e no Estado do Ceará e vai deixando um rastro de sequelas, que também impede outras milhares de pessoas de estarem bem informadas.

*Atualização: a ascom do Ceará informou uma hora antes da partida contra o Altos que o goleiro João Ricardo não contraiu o vírus com COVID. O jogador não foi relacionado por opção do treinador Guto Ferreira.

📸 Fernando Moreno/AGIF