Na semana passada, o deputado Airton Faleiro (PT-PA) levou o Projeto de Lei 427/21, que estende o direito de arena em eventos esportivos aos árbitros e assistentes, à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.

O PL obedece ao chamado direito de arena. Assim, seriam distribuídos aos atletas profissionais, aos árbitros e aos assistentes, em partes iguais, 5% das receitas provenientes da exploração de direitos desportivos audiovisuais.

“Esses funcionários do esporte são tão dedicados e necessários quanto os atletas. A medida contribuirá para a melhor preparação e a maior dedicação na arbitragem de alto nível”, disse o autor do projeto, o deputado Airton Faleiro (PT-PA), à agência de notícias da Câmara dos Deputados.

Para o diretor da comissão de arbitragem da Federação Cearense de Futebol, Paulo Sílvio, o Projeto de Lei serve para não só confirmar a relevância dos árbitros e assistentes, como corrige um erro absurdo.

“Você acha justo que o valor pago ao árbitro que apitou o jogo de abertura da Copa do Brasil, ano passado, por exemplo, entre São Raimundo e Ceará, receba o mesmo valor para apitar a final entre Palmeiras e Grêmio? Há algo errado. Isso precisa mudar. Ou você acha que o jogador recebe o mesmo valor de premiação nessas duas partidas? Claro, que não. ”, declarou o ex-árbitro cearense, que completa:

“Uma partida de futebol não pode ser realizada sem jogador, assim como não pode ser realizada sem a arbitragem. A responsabilidade de um árbitro de futebol é enorme. É o árbitro quem define se pode haver uma partida ou não”, diz Paulo Sílvio, que relembra os tempos em que estava em campo.

“Na minha época, na década de 1980, os árbitros ganhavam um por cento da renda. Eu fui apitar um jogo em Teresina, entre River e Flamengo, e havia mais de 50 mil pessoas no Estádio. Eu nunca havia ganho tanto dinheiro como naquele jogo. Mas tudo mudou. E a arbitragem não quer ficar milionária, os artistas são os jogadores, mas nós precisamos ser valorizados não só pelo nosso trabalho, que é muito difícil e desgastante, como também pelo peso da nossa responsabilidade. Um pênalti marcado ou não, um jogador expulso ou não, decide uma Copa e quem tem esse poder é o árbitro”, conclui o dirigente da FCF.

O Presidente da ANAF (Associação Nacional de Árbitros de Futebol), Salmo Valentim, reconhece a dificuldade de conseguir os 5%, mas não esconde de ninguém que como qualquer classe trabalhadora, nem todos seguem a mesma cartilha.

“Eu quero ter 3% de direito de arena. Mas os árbitros não são unidos e não temos força política para bancar esses 3%. Então aceito 1%”, declarou Valentim, em entrevista ao UOL.

Vale lembrar que, o quadro de arbitragem recebe por partida o que está previsto nas taxas das respectivas federações e também da CBF e da Fifa.

Depois que a Mesa Diretora da Câmara der o parecer o projeto vai para votação e aí vamos saber o que os parlamentares pensam sobre o assunto. “Se acontecer (de não ser aprovado) como já aconteceu, vamos continuar lutando para instituir. Não vamos desistir”, completou Salmo Valetim.