O gol não marcado do atacante Adilson Bahia, pelo Ferroviário, na cobrança de pênaltis, na partida contra o América/MG, nesta quarta-feira, que acabou levando o Peixe à eliminação da Copa do Brasil, vai mais uma vez entrar para a famigerada estatística.

No início, vai haver frenesi, revolta, indignação, ida à Justiça, processos, mas, depois, o baile vai seguir daquela mesma forma que todos já conhecem. É óbvio e necessário que o futebol acabe com esses escândalos e evite o que aconteceu em Belo Horizonte.

Diferentemente de outros erros históricos e que até decidiram Copa do Mundo, o que ocorreu no Independência na noite passada ultrapassa os limites da interpretação ou da famigerada frase “A Regra é Clara”.

A bola entrou e não foi por pouco, foi por muito. O lance é muito semelhante ao que aconteceu no Campeonato Carioca de 2014, quando o Vasco fez um gol, em cobrança de falta, contra o Flamengo, e o assistente considerou que bola não havia entrado. Um escândalo.

O clamor do Ferroviário, no entanto, é apenas mais um em um futebol que teima em desobedecer a tecnologia, em benefício de uma tradição arcaica e que maltrata e pune, muitas vezes, os menos favorecidos.

Acreditar que um time de menor expressão possa ser beneficiado em um jogo eliminatório ou em uma decisão, valendo milhões de reais, contra uma equipe grande é até um acinte.

O erro, ou melhor, o crime cometido contra o Ferroviário é apenas a cereja de um bolo que sempre é fatiado e entregue ao mais forte. É possível mudar esse cenário? Duvido. O Planeta é dominado por poucos e no mundo do futebol não é diferente.

Lisura, transparência e principalmente equidade sempre vão prejudicar os mais fortes e beneficiar os mais fracos. Quem está lá em cima não quer descer (lembra da série da Netflix “O Poço”?).  Claro que há exceções, mas é uma minoria que grita bem alto, mas somente quando a maioria está entretida com outra coisa. Quando quer voltar a gritar alto e mandar, não tem quem segure.

O Presidente da CBF, Rogério Caboclo, que assumiu a entidade em 2019, depois dos últimos três presidentes terem sido acusados de vários crimes, prometeu o seguinte em seu discurso de posse. “Nossa gestão será construída sobre os pilares da integridade e da eficiência. Não posso e nem quero esconder de ninguém o grau de consciência que tenho do desgaste de imagem que a CBF passou nos últimos anos. Não vou tolerar nenhuma prática duvidosa”.

O futebol brasileiro urge por decência, resta saber se só vai ficar apenas para um lado.

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