O Fortaleza não chegou à decisão da Copa do Nordeste, porque perdeu nos pênaltis para o Bahia. Mas se foram os desuses do futebol que escolheram um vencedor para a partida, eles acertaram.

O Fortaleza mais uma vez não jogou bem. No primeiro tempo, viu o rival baiano dominar as ações, controlar o jogo, acertar o travessão de Felipe Alves e toda vez que chegava ao ataque era motivo de preocupação para o setor defensivo.

O lado direito do Bahia, com Nino Paraíba e Rossi, já era conhecido pelo técnico Enderson Moreira, desde o fatídico 4×0 pela Série A, em fevereiro passado. Mas a atuação defensiva do time leonino sofreu para segurar o ímpeto dos baianos, que nos 45 minutos iniciais poderiam ter aberto o placar. Já o ataque do Fortaleza vivia de um lampejo do atacante David e só. Como ele não conseguiu, o time foi praticamente inofensivo.

Na etapa final, já com Bruno Melo no lugar de Carlinhos, que estava pendurado com um cartão amarelo, houve leve melhora, mas é bom ressaltar que muito mais pelo cansaço do Bahia, do que pela força leonina. E esse desgaste do time de Dado Cavalcanti não foi aproveitado pelo Fortaleza.

Talvez por falta de qualidade ou de coragem, a equipe do técnico Enderson Moreira mal conseguia chegar ao gol de Matheus Teixeira. Nem em bolas paradas o Fortaleza ganhou uma disputa no alto. Para completar, não deu para entender o motivo de Pikachu ficar no banco o tempo todo e nem o motivo de o treinador não ter feito as cinco substituições contra um adversário visivelmente cansado.

A entrada de Matheus Vargas para ajudar a criar no meio-campo, que não existiu no 1º tempo, foi até válida, mas sem um companheiro ao lado para ajudar, e com o time pensando mais em não levar gol do que fazer, o tempo foi passando e o desejo, claramente, foi de levar para os pênaltis.

A cena do goleiro Felipe Alves com o pé em cima da bola esperando alguém do Bahia para colocar a bola em jogo é o retrato de um time que não tinha condições de superar o adversário. A sensação que deu foi de que o Fortaleza achava que estava com um jogador a menos e torcia para o jogo acabar e assim confiar no seu goleiro, um ótimo pegador de pênaltis.

Mas como todos sabem, principalmente o Palmeiras, ter um grande goleiro pegador de pênaltis, não é sinal de vitória, é preciso os jogadores fazerem a parte deles também.

Muito mais que responsabilizar Bruno e Robson, que perderam as cobranças, é preciso que o Fortaleza saiba se impor, mostre sua força e jogue para ganhar. A desculpa de que treinou com Felipe a semana toda e o jogador se machucou pela manhã e com isso teve de mudar a forma de jogar é até um acinte ao bom senso.

A ausência de um volante jamais deveria ser motivo para o time, que teve a melhor campanha da competição, fraquejar no momento mais decisivo ainda mais com um adversário cansado.

📸Lucas Figueiredo/CBF