Com a saída de Enderson Moreira, demitido neste domingo, após a eliminação na Copa do Nordeste para o Bahia, o Fortaleza vai precisar de um treinador que possa suportar uma pressão avassaladora da torcida.

E olhe que o torcedor tricolor nem aos estádios e nem à sede do clube pode comparecer, devido à pandemia. Mas nas redes sociais, a revolta dos fãs leoninos fez o presidente do clube, Marcelo Paz, gravar um vídeo e pedir que os mais exaltados voltassem a vibrar com as vitórias e ainda provocou os descontentes a gritarem: “segue o líder”.

 O Fortaleza terminou a fase de grupos da Copa do Nordeste como o melhor entre os 16 participantes e avançou nas duas fases da Copa do Brasil, além de ter vencido o único jogo disputado pelo Estadual.

Mas os resultados dentro de campo não foram o bastante para segurar Enderson, que mantinha incríveis 80% de aproveitamento na temporada 2021, antes do duelo contra o Bahia, no sábado passado.

O futebol pobre, sem brilho, a falta de qualidade e muitas vezes um estilo de jogo acovardado provocaram atritos e sobressaíram em cima das vitórias. A gota d’água contra o Bahia, quando o time viu um adversário cansado, não fez as cinco substituições e não usou o meia Yago Pikachu foram demais até para os defensores de Enderson Moreira.

Agora é passado, e o Fortaleza precisa pensar à frente. O Campeonato Cearense deve começar no próximo final de semana e o Brasileiro começa em um mês. Ou seja, o novo treinador precisa vir agora e recomeçar o trabalho (que não foi) feito por Enderson.

O entrave vai ser agora. A diretoria está sob pressão. Desde a saída de Rogério Ceni, o time não conseguiu encaixar um substituto, que suprisse a ausência do maior treinador da história do clube. Sempre que algum resultado ruim aparecia, a cobrança era inevitável e o passado recente de glórias era relembrado.

Ainda em 2019, quando Ceni foi para o Cruzeiro, o Fortaleza trouxe Zé Ricardo, que era um treinador da safra nova, com conceitos semelhantes e que poderia fazer o Leão jogar pra frente. Durou apenas 6 jogos. Ceni voltou e o time retomou os trilhos.

Mas em 2020, na despedida de vez do treinador para o Flamengo, Marcelo Chamusca saiu do Cuiabá, onde fazia um excelente trabalho, e aceitou o desafio. Não suportou a pressão dos resultados ruins e caiu em pouco menos de dois meses.

Em seguida, a diretoria optou por alguém que pudesse salvar o clube do rebaixamento e tivesse condições de fazer o time render em 2021. Enderson era o salvador. A duras penas o Fortaleza escapou da queda, mas uma goleada sofrida para o mesmo Bahia, por 4×0, no Castelão, não derrubou o treinador, mas maculou sua imagem perante a torcida, que não o suportava mais. Chegou a temporada 2021 e na primeira eliminação, deu no que deu.

Assim, fica a pergunta quem seria o treinador capaz de segurar a pressão e de fazer o torcedor esquecer o trabalho de Rogério Ceni? Pelo jeito, se não for alguém com muito prestígio, nem com 80% de aproveitamento vai satisfazer.

Sem contar que para trazer alguém com muito prestígio, vai precisar desembolsar uma grana alta, algo que não estava no orçamento do clube ( pelo menos até ontem). Mas se realmente quiser acalmar os ânimos dos tricolores e voltar a encantar como nos últimos três anos, vai precisar subir o sarrafo e tirar o dinheiro do cofre.

Treinador bom há aos montes, treinador que resolva esse é escasso e bem caro.

📸 Samuel Andrade/Futebolês