O time do Ceará demorou mais do que o normal para entrar em campo. O lateral Bruno Pacheco puxou a fila e foi o primeiro. Ele e o Vizeu foram os únicos do lado alvinegro a cumprimentarem o árbitro da partida, antes de a bola rolar.

O atacante Vico, do Vitória, conversou com o atacante Lima, do Ceará, e depois fez questão de ir até o banco alvinegro para cumprimentar os jogadores do banco e o treinador Guto Ferreira.

O tradicional 1 minuto de silêncio em homenagem às vítimas de Covid começou com os jogadores do Ceará ainda reunidos numa roda e o técnico Guto Ferreira pronto para ser entrevistado pela TV.

Em um lance próximo à área, o zagueiro Luiz Otávio reclamou do assistente e gritou: “Ele empurrou, bandeira”. Já o Bruno Pacheco foi mais incisivo: “Presta atenção, bandeira. Ele empurrou”. Até o técnico Guto também chamou a atenção do assistente e gesticulou com as mãos mostrando que o jogador do vitória empurrou.

Ao começar a partida, como já é de praxe, havia 4 jogadores do Ceará sentados em cadeiras ao lado do banco de reservas. Do lado do Vitória, havia 2. Só que o 4º árbitro foi até os atletas e pediu para eles não ficarem nas cadeiras e sentarem no banco. O zagueiro Klauss e o volante Fernando Sobral não queriam ir de jeito nenhum. Relutaram, argumentaram, mas não teve jeito. Todos tiveram de ficar no banco.

“Não para, não para. Joga a bola, joga a bola. Vamo Richard”. Eram os gritos do meia Vina e do atacante Steven Mendoza para o goleiro Richard bater o tiro de meta rapidamente, devido ao volante Cedric, do Vitória, ter caído no chão. O problema é que, quando o time baiano estava com a bola, não parou o ataque. Quando a bola foi pela linha de fundo, aí os baianos pediram ao árbitro para o atleta ser atendido. Vina e Mendoza ficaram inconformados e queriam que o jogo continuasse. Cedric nem precisou de atendimento. Levantou numa boa.

A arbitragem foi mais uma vez pressionada por todos. A cada lance, seja um lateral, ou um pedido de falta, os gritos e reclamações apareciam por todos os lados, do banco, de dentro de campo e do setor Premium, onde os dirigentes estavam sentados. Virou rotina e até tradição. É ruim para o jogo e para a arbitragem. Porém, inacreditavelmente expulsou o lateral do Ceará, Gabriel Dias, no finalzinho da partida, sem nenhum motivo, e pior, com o auxílio do VAR.

Em um rápido contra-ataque do Ceará, Mendoza tentou dar um passe, mas o zagueiro do Vitória cortou a bola. O colombiano gritou: “isso é pra amarelo, professor. Ele bateu na bola assim. A bola tava em cima. Isso é pra amarelo, professor”. Em um português claríssimo.

O zagueiro Messias parece ser aquele jogador que toma as dores dos companheiros e não gosta de firula. Em um lance do atacante Soares, do Vitória, que se jogou na área, o defensor alvinegro foi até onde o jogador estava e disse pra ele alguma coisa. Depois, ambos ficaram discutindo. Em outro lance, em que Vina e Wesley discutiram, Messias saiu da defesa e foi até o meio e ficou encarando o adversário frente a frente. Pra completar, além de excelente zagueiro, ainda faz gol.

Na espera pelo VAR para confirmar o gol do Vina, todos do banco de reservas do Ceará já estavam na borda do campo para celebrar. Havia a certeza de ter sido gol legal. Quando foi confirmado, a comemoração foi enorme. Depois de vibrar bastante, o técnico Guto Ferreira ficou conversando com o assistente, aquele que ele havia reclamado anteriormente.

Uma cena bem bacana foi a celebração de todo o setor defensivo do Ceará: Richard, Gabriel Dias, Luiz Otávio, Messias, Bruno Pacheco e Pedro Naressi. Eles se juntaram na intermediária, se abraçaram e comemoraram muito o 1º gol alvinegro.

Em uma falta marcada pelo árbitro a favor do Vitória, próximo à lateral, o Vina ficou distante, mas não deixou de reclamar do assistente: “foi com o ombro (e batia o braço no ombro)! Não foi nada. Não foi falta. Não foi nada. Levanta a bandeira (fazia o gesto com a mão). Não precisa falar”.

Eu acompanho jogos do Ceará desde o início dessa temporada e não lembro uma conversa tão demorada do auxiliar Alexandre Faganello e do técnico Guto Ferreira. Ambos ficaram na área técnica em pé por quase 2 ou 3 minutos conversando, pertinho um do outro, enquanto o jogo corria solto. Geralmente, Faganello fala algo e depois volta para a cadeira onde fica sentado, ou fica em pé sozinho, orientando algum jogador.

No momento do gol do zagueiro Messias, enquanto quase todos correram pra abraçar o defensor alvinegro, Vina correu até o banco de reservas vibrando muito, mais do que no gol marcado por ele. O camisa 29 parecia ter feito um golaço, levantou os braços, gritou muito e abraçou vários companheiros reservas. Estava muito muito entusiasmado.

Aliás, na celebração desse gol do Messias, vários jogadores do Ceará comemoraram olhando para o setor Premium e levantando os braços, vibrando bastante e gritando: “Valeu, André!”. André é o auxiliar-técnico que ensaiou a jogada da cobrança de falta.

Na saída para o intervalo, o atacante Jael fez questão de cumprimentar todos os jogadores, que estavam no campo. Falou com cada um que deixava o gramado. O centroavante Cleber e o zagueiro Klauss também cumprimentaram os companheiros.

Os goleiros sempre são os primeiros a voltarem para o campo, após o intervalo. Novamente, o Ceará demorou bastante nos vestiários. Mas quem voltou logo depois do goleiro Richard foi o técnico Guto Ferreira, bem à frente dos atletas, que ainda demoraram um tempinho a mais.

Na etapa final, até os 15 minutos, havia um silêncio no Castelão, sem o frenesi do 1º tempo, menos para o goleiro Richard. O camisa 91 alvinegro gritava muito. Seja para orientar na marcação, seja para incentivar os companheiros: “Vamo, vamo, vamo” – “Em cima, em cima” – “Boa, boa, pra cima”.

Só para vocês terem uma idéia, em uma falta no meio de campo cometida pelo meia Lima no defensor do Vitória, o atacante Jael, que estava atrás das placas de publicidade, na linha de fundo, gritou: “que é isso? Ele só encostou! Ele só encostou!”

O atacante Steven Mendoza não gostou de ter sido substituído. Saiu cabisbaixo e lentamente. Não cumprimentou o técnico Guto Ferreira, mas foi cumprimentado pelo auxiliar Faganello. A turma do setor Premium aplaudiu muito o colombiano.

Ao perceber que iriam entrar Marlon e Jael, o meia Vina olhou para o banco e perguntou: “Sou eu?”. Antes de sair de campo, ele foi entregar a faixa de capitão para o goleiro Richard. Assim como Mendoza, Vina e também Felipe Vizeu foram bastante aplaudidos na saída de campo. Aliás, Guto foi até o Camisa 29 para estender o braço e cumprimentá-lo.

No lance da expulsão injustificável do lateral Gabriel Dias. O técnico Guto Ferreira ficou de pé com a mão no queixo, meio que sem acreditar no que estava acontecendo. Já o meia Vina e o atacante Felipe Vizeu estavam inconformados. Ambos tentaram falar com o 4º árbitro, com o delegado da partida e ficaram andando de um lado pra outro.

Aliás, Felipe Vizeu foi até o campo para tentar acalmar e tirar o lateral Gabriel Dias, que estava completamente revoltado com a expulsão. Já o goleiro João Ricardo foi conversar com os jogadores reservas e o auxiliar técnico do Vitória.

Depois do fim da partida, o atacante Jael, o goleiro João Ricardo, o auxiliar Faganello e o meia Lima foram conversar com o árbitro do jogo.

Antes de receber o prêmio de melhor em campo, Vina ficou conversando com Felipe Vizeu e logo em seguida começaram a ensaiar a coreografia de uma dança.

De acordo com o borderô do jogo, o Ceará teve um prejuízo de R$ 12.602,50

📸 Pedro Chaves/FCF

🎥 Mário Kempes