O volante Fabinho chegou ao Ceará em 2018. Em 2019, o camisa 19 alvinegro jogou 53 partidas. Em 2020, foram 50 duelos e se tornou um dos homens de confiança do técnico Guto Ferreira no elenco do Vovô.

No entanto, 2021 chegou e os problemas apareceram e a ausência nos gramados, que era algo raro, se tornou comum. Em março, Fabinho contraiu uma virose, em abril sofreu uma lesão no joelho, em junho foi submetido a uma artroscopia no joelho e logo depois pegou Covid.

O volante alvinegro, no entanto, não desanimou, se recuperou, foi jogar nos Aspirantes e conseguiu superar todas as atribulações. No último domingo, atuou como titular na lateral-direita (que não é sua posição original) no empate por 1×1 diante do Flamengo, onde foi bastante elogiado pelos torcedores, companheiros e pelo técnico Guto Ferreira.

Fabinho participou da entrevista coletiva desta quinta-feira, no Estádio Carlos de Alencar Pinto, e foi questionado pelo repórter Danilo Queiroz, do Futebolês, do Sistema Jangadeiro, que fez esse levantamento e pediu ao jogador para explicar como foi todo essa vicissitude

“Na virada de ano, a maioria das pessoas tem um caderno de anotações, onde você planeja: ‘esse ano talvez eu vou fazer tal curso, vou ler 10 livros no ano, esse ano eu vou perder um pouco de peso, vou ganhar um pouco de massa…’. Enfim, todos nós fazemos planos. Eu, fugindo da religiosidade, sou cristão. Sou discípulo de Jesus. A minha vida é toda pautada na Bíblia. Na palavra de Deus. Então, quando eu olho para a palavra de Deus, eu vejo também ali pessoas que passaram por dificuldades. A Bíblia diz no livro de João 16:33 que “no mundo tereis aflições. Tem de bom ânimo, porque eu venci o mundo”. Ou seja. A aflição vai chegar na vida de todo mundo. A tempestade, ela chega na vida de todo mundo. O que vai fazer você passar por esses momentos difíceis e desafiadores que a vida trás pra todo mundo é onde você coloca sua expectativa, sua esperança. A minha sempre foi em Deus. Foi em cima da palavra de Deus. Como atleta, e você falou dessas minhas últimas temporadas, aqui no Ceará, que tá acostumado a jogar muito. E ficar a maioria das partidas do ano de fora realmente é ruim. Mas eu acredito também em Romanos 8:28 ‘Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundos seus propósitos’. Então, eu tenho que ter convicção da palavra de Deus. E ter convicção que eu tenho uma missão dentro do Ceará, que existe um propósito aqui de Deus para a minha vida e que a tempestade uma hora ou outra iria vir. Veio e eu saí muito mais forte como ser humano. Saí muito mais forte como atleta. E eu acredito que estou preparado para desafios maiores. Eu acredito muito nisso. Então, por isso que quando você tá passando, obviamente, eu não entendia o porquê daquilo. Eu nunca fui de ter lesão em joelho, em nada. Até porque, foi algo bem simples, mas a recuperação você tem 30 dias, depois tem a parte física e aí o calendário cheio vai passando muitos jogos. Mas a minha esperança sempre era que: tudo passa. Quando você coloca sua expectativa em Deus, você continua trabalhando e tudo passa. Então, você também tem de saber discernir as estações, entender os tempos. Desde o início da minha carreira, eu sou acostumado a jogar vários jogos por temporada, mas teve momentos também que eu tive que esperar. Teve momentos que tive de aguardar o tempo certo de Deus para minha vida. Eu acredito que passar por esses ciclos, até porque a vida humana é cíclica. Um dia você tá em cima, outro dia você tá em baixo. E você tem de discernir os tempos, porque se você não discernir os tempos, você vai ficar doido quando chegar a tempestade. Você vai achar que é um castigo de Deus. Você vai achar que é a pior pessoa do mundo. E não. É entender que para Deus tudo tem um tempo certo. A Bíblia diz no Salmo 1:3 que ‘O homem que segue a palavra de Deus é comparado a uma árvore que é plantada junto ao ribeiro. E ela dá fruto na estação própria’. Ou seja, a Bíblia fala que a folha dessa árvore, que está plantada junto ao ribeiro, dá fruto na estação própria. Mas há uma coisa que me chama atenção: ela sempre vai ter folha. O que eu aprendo com isso? Eu aprendo que no momento que eu não estiver dando fruto, ou seja, jogando, sendo útil dentro de campo, eu preciso produzir sombra pra quem tá jogando. E produzir sombra para quem está crescendo, pra quem precisa de sombra. Seja uma sombra através de uma palavra, seja através de um abraço. Então, é isso que aprendi com toda essa situação”, relatou Fabinho, que tem 34 anos.

Para conferir a entrevista coletiva na íntegra é só clicar no vídeo abaixo:

📸 Reprodução/Youtube