Faltando apenas 4 rodadas para o fim do Brasileirão, São Paulo, Santos e Grêmio correm risco de caírem para a Série B do Brasileiro (onde já estão Cruzeiro e Vasco). O clube gaúcho é o com mais chances de queda, afinal está em 18º a 4 pontos do Juventude, que é o 16º colocado.

Como já é costume, a pauta nos programas, jornais, sites e colunistas da chamada “grande mídia” (aquelas que dizem ter abrangência nacional, mas são voltadas especificamente para os clubes do Rio e de São Paulo, com algumas pinceladas para os do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais) é explicar os motivos ou apontar os culpados do que eles chamam de fracasso para esses times.

O que eu acho mais legal no choro dessa turma sobre São Paulo, Santos, Grêmio, Cruzeiro, Vasco… é que eles tentam encontrar todo tipo de justificativa. Como se os outros clubes, que não fazem parte desse G12 ( ou da panelinha), não pudessem crescer e montar um ótimo time.

Por muito tempo, eles acharam que a camisa não deixava o time cair para uma Segunda Divisão. Depois, acharam que clube com dinheiro não seria rebaixado. Aí, foram para o elenco, um grupo forte e de qualidade não tinha perigo de cair.

Essa turma pensa que times como Fortaleza e Ceará, para ficar apenas nesses 2, estão bem há 4, 5 anos, por que? Pelo sucesso deles próprios ou pelo fracasso dos outros, dos chamados “grandes”? Infelizmente, até fora do campo, os caras acham que os “menores” ganham pela incompetência dos adversários e não por mérito.

O exemplo do Athletico paranaense é o melhor que há. O clube cresceu em todos os fundamentos. Por mérito próprio. Será se Santos ou Flamengo (clubes que participaram da Sula ou da Copa do Brasil) foram incompetentes por terem sido eliminados da competição, ou o Furacão foi melhor?

Quando essa mesma análise chegar ao Nordeste, aos clubes nordestinos, quando perceberem que o G12 já não é mais o mesmo de 1980, 1990, quem sabe o debate seja ampliado e possamos ver que há vida, sim, mesmo quando o São Paulo ou Grêmio sofre e Fortaleza ou Ceará cresce.

Ah! E esse olhar é acompanhado de uma frase/pergunta incrédula: como é que um time lá do “Nordeste” (qualquer coisa a cima de Minas a indicação é a região e não o Estado ou a cidade) permanece na Série A ou vai pra Libertadores ou disputa uma Sul-Americana e o “time grande não vai”?

É só mais uma visão elitista, típica da Casa Grande (jamais das Senzalas). Isso é o mesmo para um estudante cearense de escola pública que passa no ITA. Ou de um empreendedor baiano que tem uma startup de sucesso. Ou um influencer piauiense com milhões de inscritos no YouTube.

Como diria o filósofo Vanderlei Luxemburgo: O futebol, dentro e fora de campo, é o retrato da nossa sociedade.

📸Kely Pereira/AGIF/CBF
📸Felipe Santos/CearáSC
📸Ettore Chiereguini/AGIF/CBF