No mês passado, em dezembro, o contrato de Marcelo Boeck com o Fortaleza foi encerrado. O atleta, de 37 anos, é considerado por muitos como um dos maiores ídolos e maior goleiro da história do clube tricolor.

Boeck chegou ao Pici em 2017 e foi um dos responsáveis por tirar o time do inferno da Série C, após 8 temporadas. No ano seguinte, conquistou a Série B do Brasileiro, pra completar, em 2019, levantou a taça de Campeão do Nordeste e do Campeonato Cearense.

Só que o comando do técnico Rogério Ceni o afastou do time. Boeck chegou a ficar até fora do banco de reservas em algumas partidas da equipe em 2020. A insatisfação era notória e os rumores eram de que deixaria o Pici. Com o adeus de Ceni, Marcelo ganhou novas oportunidades e durante a temporada passada foi fundamental em jogos decisivos do Brasileirão.

Claro que como qualquer outro jogador, Boeck cometeu falhas, voltou para o banco de reservas e uma parte da torcida já o via em fim de carreira, ainda mais que completará 38 anos, com o contrato se encerrando em dezembro e sem a habilidade com os pés que o padrão europeu impôs. Pra completar, a chegada do goleiro Fernando Miguel (ex-Atlético/GO e Vasco) aumentou o frenesi de que a renovação de contrato estaria ainda mais distante.

É verdade que Marcelo Boeck não é mais o mesmo de 2017/2018 (muitos não são), mas é inegável que ainda consegue mostrar talento e competência com a camisa tricolor. Não foi por sorte, nem por pena e muito menos por falta de opção que terminou a temporada como titular do Fortaleza.

Em 2022, com tanta competição a disputar e principalmente com a participação inédita e histórica na Libertadores, vê Marcelo Boeck permanecer no Pici é muito mais do que compaixão, é justiça mesmo. Afinal, o atleta não é um aposentado, consegue treinar e atuar em alto nível, tem o respeito dos companheiros e o carinho da torcida.

Espero e creio que a atual diretoria do Fortaleza e o próprio camisa 1 leonino cheguem a um acordo para um novo e último vínculo. Assim, Boeck poderá ter o caminho livre para ser imortalizado no Fortaleza como aquele que pegou o time na Série C e o levou a Libertadores.

📸João Moura/Arena Castelão
📸Pedro Chaves/FCF