Comunicação Alvinegra

A demissão do Gerente de Comunicação do Ceará, Bruno Reis, também serve para uma pequena reflexão ao clube e obviamente esclarecimentos ao torcedor alvinegro e público em geral. A cobertura da mídia referente ao Ceará Sporting Club é bastante restrita.

Para se ter uma ideia, este Blog não tem permissão para participar das coletivas, nem de acompanhar os treinamentos, nem muito menos de entrevistar jogador ou membro da comissão técnica. Eu, Mário Kempes, jornalista, mesmo com um Blog (site) voltado para uma cobertura esportiva a vários segmentos e clubes, só consigo acesso devido ao meu trabalho no TVC Esporte Clube. Tentei entrevistas com Vina, Luiz Otávio, Tiago Nunes, entre outros e não tive permissão.

A proibição a Blogs é estendida também a portais, sites e a perfis ligados a algum clube (obviamente ao próprio Ceará). Ou seja, somente profissionais que trabalham em veículos de comunicação (TV, Rádio, Jornal e Internet) têm acesso.

Para exemplificar de forma bem banal: se os consagrados jornalistas Marcos Uchôa e Tino Marcos, que deixaram a Rede Globo, criassem um canal no Youtube, ou um Blog/Site independente para falar de futebol e quisessem participar de uma entrevista coletiva ou acompanhar um treino do time alvinegro, eles não teriam acesso.

Em tempos de metaverso, 5G, streaming, ODD, chega a ser anárquico ver um clube grande não permitir que canais de divulgação ligados ao próprio time participem de eventos de divulgação da marca, dos produtos, dos patrocinadores, da opinião de atletas e da comissão técnica. Assim como é incompreensível que jornalistas de forma independente com experiência, anos de profissão, com marca própria, de forma independente, não possam participar de atividades relacionadas ao clube.

Só pra deixar claro: Flamengo, Corinthians, Fortaleza, São Paulo e até a Seleção Brasileira permitem.

É óbvio, é evidente que nem todos conseguem desempenhar um papel satisfatório que agrade aos princípios do jornalismo e da comunicação e principalmente às regras estabelecidas pelo clube.

Por outro lado, cada agremiação tem o direito de estabelecer as regras que quiser. Da forma que achar melhor, de acordo com o interesse que precisar.

Certa vez, eu estava em um jogo da Seleção Brasileira e foi informado a todos os profissionais de mídia presentes que não era permitido entrevistar atletas no intervalo da partida. Um repórter, de uma emissora famosa, não quis saber e entrevistou. O assessor de imprensa esperou a entrevista acabar, em seguida pediu a credencial do repórter e o colocou pra fora. Simples e direto.

O argumento de que: “Ah mas se eu abrir pra um, vou ter de abrir para todos”. Generalizar incompetência é muito mais parecido com preconceito do que com democracia. Quem errou, que pague pelo que fez, não é porque um repórter de uma emissora famosa vacilou, que os profissionais de outras emissoras vão errar.

O universo do jornalismo e da comunicação esportiva mudou. Perfis no Youtube como: Canal do Vozão, Bora Pro Racha e Vozao Cast (para ficar apenas nesses 3) possuem milhares de fãs que consomem muito mais informação e notícias relacionadas ao Ceará do que muitas emissoras de TV, Rádio, Jornal ou Internet. Impedi-los de acessar as dependências do clube não combina com uma agremiação que gosta de ser autointitulada “Time do Povo”.

Há formas e normas para se promover um ambiente de qualidade e principalmente de harmonia entre clubes e mídia. Quem sabe agora, com uma nova gestão, isso aconteça!

📸Ascom/CearáSC