Edinaldo Rodrigues foi eleito por unanimidade o novo Presidente da CBF para conclusão de mandato até 2026. Baiano, de Vitória da Conquista, aos 68 anos, o mandatário do futebol brasileiro tem pela frente enormes desafios.

Aproximar a Seleção Brasileira do torcedor, apoiar a criação da Liga dos Clubes, manter os Campeonatos Estaduais e a Copa do Nordeste e ainda ajustar o calendário nacional para agradar uma elite, que está muito mais preocupada com os interesses próprios do que com o futuro do esporte no País.

Edinaldo teve o apoio de todos os clubes das Série A e B (só a Ponte Preta não conseguiu votar) e de 26 federações, somente a alagoana, do opositor Gustavo Feijó, não esteve presente na eleição desta quarta-feira, na sede da CBF, no Rio de Janeiro.

Interino no comando do futebol brasileiro, desde agosto do ano passado, com o afastamento de Rogério Caboclo, Edinaldo terá ainda que enfrentar um dos maiores flagelos do País: o preconceito.

“Preconceito por ser do Nordeste, por ser baiano, por ser do interior, o presidente por ser negro. Essa é a grande realidade e a grande resposta. Não fui só eu que disse não a esses preconceitos. Agradeço as 26 federações, aos 20 anos de clubes, os 20 clubes da Série B. Todos os nossos membros de chapas. São 9 meses de todo esse tipo de situação, de injúrias, de infâmias. Hoje, a democracia venceu. Não preparei discurso porque passei esse tempo me defendendo do preconceito, tenho caráter ilibado. Sofri todo tipo de pressão e preconceito. Tive meus telefones grampeados, meus e-mails violados”, declarou no discurso.

O Presidente da CBF vai ter de enfrentar a sanha de algozes que teimam em querer acabar com os estaduais para liberar datas e com isso beneficiar “os grandes”. Edinaldo ainda precisa encarar o término do contrato da Liga do Nordeste com a CBF para a realização da Copa do Nordeste.

No meio disso tudo, vai precisar encaixar ou melhor agradar o desejo de todos os dirigentes da Série A do Brasileiro, que querem a implantação de uma Liga de Clubes. Os representantes das agremiações estão irredutíveis para que em 2023 o campeonato já esteja em prática e assim o calendário seja readequado.

Se não bastasse, Edinaldo já adiantou que a Seleção Brasileira vai voltar a se reaproximar do torcedor. Com o fim do contrato para a realização de amistosos no Exterior, o mandatário declarou que vai priorizar jogos do escrete nacional em território brasileiro.

Currículo

“Ednaldo Rodrigues Gomes é natural de Vitória da Conquista, na Bahia, e tem 68 anos. Formado em Ciências Contábeis, tem especialização nas áreas de Auditoria Financeira e de Gestão Administrativa. Sua relação com o futebol começou bem cedo, quando foi jogador de futebol amador nas décadas de 1970 a 1980. Tão logo sua passagem pelos gramados se encerrou, Ednaldo passou a se dedicar à administração esportiva.

Sua primeira experiência foi como Presidente da Liga Conquistense de Desportes Terrestres. No ano de 1992, Ednaldo Rodrigues passou a ser Diretor do Departamento do Interior da Federação Baiana de Futebol (FBF) até o ano 2000. O trabalho o levou à Presidência da FBF, cargo que assumiu em 2001 e para o qual foi reeleito em outras duas oportunidades.

A passagem de Ednaldo Rodrigues pela Federação Baiana ficou marcada pela forte defesa dos interesses do futebol baiano e regional, em meio à capacidade de diálogo e de coalizão com as demais federações. Foi um dos maiores defensores da Copa do Nordeste, liderou a reformulação no campeonato estadual da Bahia, além de ter investido no fortalecimento do futebol feminino e nas categorias de base. Ednaldo Rodrigues permaneceu na presidência da federação até 2018, quando passou a ocupar a cadeira de vice-presidente da CBF”.

PS: Currículo divulgado pela CBF

📸Lucas Figueiredo/CBF