Nem de longe foi uma grande apresentação, mas para o time do Ceará a vitória valia muito mais do que a chamada “atuação de gala”. E foi com o apoio da torcida, principalmente no 2º tempo, e curiosamente quando ficou com 10 jogadores em campo que o Vovô virou pra cima do Independiente, por 2×1, e ganhou na estreia na Copa Sul-Americana.

Os mais de 33 mil torcedores presentes à Arena Castelão não gostaram da atuação no 1º tempo, creio que nem o próprio treinador Dorival Júnior aprovou, tanto que momentos depois, foi obrigado a mudar (saiu o volante Richard e colocou o atacante Erick), porque a equipe, mesmo com um jogador a mais, não conseguiu render praticamente nada.

A expulsão do defensor argentino Costa, logo com 11 minutos de partida, parecia que ia dar ao Ceará uma vantagem para deslanchar, mas acabou sendo pior. Nervoso e sem um padrão, o Vovô não soube tirar proveito e pra completar ainda levou o gol num contra-ataque (após passe errado de Luiz Otávio).

Na segunda etapa, já com Zé Roberto em campo, porque Vina de centroavante, ou falso 9, não funcionou, o time, enfim, melhorou. A conversa no vestiário deu resultado, a torcida abraçou e voltou a apoiar. Assim, logo aos 16min, o empate saiu em pênalti convertido por Mendoza.

Só que no minuto seguinte, Nino foi expulso e o Ceará ficou com 10. Mas não afetou em nada. Tanto que aos 20min, após escanteio, o goleiro argentino vacilou, o zagueiro se atrapalhou e colocou a bola pro fundo das redes. Virada e o Castelão explodiu de alegria.

Depois, muitas mudanças para se reencontrar e se organizar taticamente e assim segurar lá atrás e esperar o tempo passar. Foi o que aconteceu. Estreia com vitória, mas com aprendizado enorme para torcida, que colocou ainda mais pressão nos jogadores ao vaiar o time ainda no 1º tempo, mas depois entendeu que era preciso apoiar e assim dar força ao time.

Aos jogadores, que por mais que se esforcem, cansem, suem, precisam entender que não podem atuarde forma displicente diante de um gigante do continente. Atenção 100% e com o pé de ferro em toda jogada.

E principalmente a partida vai servir de aprendizado para o técnico Dorival Júnior. A escalação não funcionou e somente no intervalo, após conversa com os jogadores a análise com auxiliares, percebeu os equívocos no setor ofensivo. Claro que ainda está conhecendo o elenco, mas por mais que tenha um currículo invejável e experiência de sobra, precisa entender o peso e o tamanho da atmosfera alvinegra.

📸Felipe Santos/Ceará SC