Quem esteve na Arena Castelão e viu a vitória do Ceará por 2×1, de virada, em cima do badalado Rei das Copas, Independiente, da Argentina, na estreia do time na Copa Sul-Americana, presenciou também um clima de hostilidade da torcida ao Presidente do clube, Robinson de Castro, que fazia aniversário, completava 56 anos.

Alguns torcedores foram ao estádio com a camisa “Fora, Robinson de Castro” e pra completar antes, durante e depois da partida, o coro (xingamento) de: “Ei, Robinson, vai tomar no…” ecoou pelas arquibancadas da Arena Castelão.

Antes do jogo, é óbvio que o sentimento do torcedor era ainda de dor, devido às ultimas eliminações na Copa do Nordeste e no Campeonato Cearense, sem contar que as contratações feitas até aqui não agradaram. O atacante Matheus Peixoto, pra ficar apenas no último nome anunciado, chegou há 3 semanas machucado, segue no departamento médico e nem sequer ainda treinou com o grupo.

Durante o duelo dessa noite de terça-feira, a derrota parcial por 1×0 com 1 jogador a mais durante praticamente todo o 1º tempo, também maltratou e impulsionou os xingamentos dos alvinegros, que viram uma equipe incapaz de superar o adversário, que só se defendia, mas mesmo assim, ainda conseguiu abrir o placar.

No entanto, depois, o time reagiu, virou e venceu por 2×1. Mas nem isso serviu pra amenizar a raiva incontrolável da torcida diante do Presidente do Clube. Os xingamentos após a partida foram até maior do que antes e criam um clima em que a relação torcida/diretoria precisa ser resolvida para não afetar os jogadores mais cedo ou mais tarde.

A ira da torcida reflete no apoio, tanto que ainda no 1º tempo, as vaias foram fortes para a equipe, que precisou se reorganizar no intervalo e voltou melhor na etapa complementar. Mas nem sempre vai ser assim e isso pode trazer consequências para um elenco já pressionado e uma comissão técnica iniciante.

É preciso que alguém ceda. Ou o Presidente Robinson de Castro tira uma licença para deixar a poeira baixar, e assim conseguir respirar e ter tranquilidade para voltar em um outro momento, ou a torcida vai precisar segurar os protestos durante as partidas.

As consequências, caso a relação continue assim, pode afetar o desempenho lá no campo. Os jogadores com a bola rolando não têm culpa pela situação e claramente demonstram esforço e muita vontade para vencer os adversários, mas se falta técnica, aí o problema já é outro. Dentro de casa, ver a torcida xingar o próprio presidente do clube causa, no mínimo, desconforto e mexe, sim, com o psicológico dos atletas.

Por isso, é necessário reflexão para tomar uma decisão sábia e não comprometer o time, que neste momento precisa do apoio irrestrito e completo sem tirar o foco do real objetivo do clube na temporada.

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📸Felipe Santos/Ceará SC