Foto: Davi Rocha/Futebolês/Instagram

Em mais uma partida dentro de casa, dessa vez contra o Tombense, pela Copa do Brasil, a torcida do Ceará causou espanto ao ficar em silêncio por boa parte do 1º tempo. Mesmo com o gol marcado pelo atacante Lima, aos 33min, a revolta dos alvinegros não cessou e também apareceram xingamentos à diretoria e ao Presidente do clube, Robinson de Castro.

Aliás, os protestos foram destacados até pela equipe de transmissão pelo Sportv, que exibiu a vitória alvinegra por 2×0 e garantiu o clube nas oitavas de final da Copa do Brasil faturando mais R$ 3 milhões.

A indignação dos torcedores, que já havia incomodado a diretoria, mais especificamente o presidente Robinson de Castro, que em alguns jogos optou por não mais acompanhar do camarote do clube ou de sair do local antes do fim da partida, dessa vez chateou jogadores e comissão técnica.

Autor do 2º gol da vitória do sobre o Tombense, o lateral Nino Paraíba comentou sobre os protestos da torcida no 1º tempo em entrevista pós-jogo ao Sportv.

Reprodução Sportv

Na entrevista coletiva, o técnico Dorival Júnior também foi questionado sobre a atitude da torcida presente no Castelão.

O torcedor não só tem o direito como o dever de protestar (obviamente de forma pacífica) quando se sentir incomodado com algo, ainda mais dentro do Estádio, onde paga caro, é mau atendido, desrespeitado, não tem conforto e algumas vezes é até violentado. Só que as reinvindicações dos alvinegros passam pelo incômodo de ver um clube tão bem administrado fora de campo, mas que no gramado não traz os resultados esperados.

E como todos nós sabemos, o futebol é imediatista e a paixão, às vezes, cega. É até incompreensível pedir que o torcedor use a razão para aceitar as finanças do clube com superavit, mas com prejuízo no número de conquistas.

A indignação alvinegra, ou a falta de apoio, é questionada por muitos (inclusive pelo treinador e pelos jogadores) por ser feita durante a partida. Talvez, esse seja o ponto que esteja levando ao debate o legítimo protesto.

Mas há um porém nisso tudo. A revolta dessa quarta-feira foi causada em uma partida, que estava praticamente definida e contra um adversário bastante limitado. Seria difícil imaginar que diante de um adversário mais forte, como vai acontecer contra o Flamengo, no próximo sábado, a torcida fique calada ou vaie o time, ou xingue a diretoria durante boa parte da partida.

É verdade que parte disso ocorreu na vitória por 2×1 sobre o Independiente, mas ali envolve outra situação em que o Ceará estava com 1 jogador a mais e mesmo assim levou 1 gol e saiu para o intervalo perdendo. No entanto, no 2º tempo, o apoio foi incondicional, tanto que a equipe virou a partida e ganhou por 2×1.

Foto: Felipe Santos/ Ceará SC

Depois desse jogo, não houve protestos semelhantes ao da noite passada: nem nas derrotas para Botafogo e Red Bull e nem na vitória contra o La Guaira. Assim, a sensação é que o que aconteceu nessa quarta-feira foi algo específico.

Agora, é claro que se houver uma repetição no próximo sábado, aí a relação ficará ainda mais insustentável. Mas repito, o protesto é legítimo e o torcedor tem direito e dever de reivindicar, quando quiser dentro do Estádio.

Por outro lado, as consequências podem ser péssimas para o time, como bem frisou o técnico Dorival Júnior. Assim, sou a favor de uma trégua ou como já escrevi aqui neste Blog, alguém precisa ceder: Ou a torcida para ou o presidente pede uma licença. Aguardemos para sábado diante do Flamengo.