Foto: Pedro Chaves/FCF

Desabafo

Não é de hoje que as dificuldades do futebol feminino são escancaradas. Diferentemente da lacrolândia, que adora aparecer, exigindo notícias, mais espaço, mais visibilidade e igualdade de tratamento, enquanto para fazer cobrança aos clubes, entidades e patrocinadores a voracidade é quase inexistente. Abri esse espaço na esperança de poder retratar mesmo que de forma pequena o árduo trabalho de atletas, treinadoras e dirigentes, que lutam por uma categoria mais profissional e com mais abertura para o público em geral.

No entanto, foi possível perceber vários pontos.

1º O afã de prestigiar o futebol feminino não passa de hipocrisia. Aqueles mesmos que bradam reclamando e cobrando são os mesmo que preterem, principalmente quando o masculino divide o tempo e até o espaço.

2º Há até um esforço dos clubes para divulgar e municiar a mídia de informações, mas a falta de notoriedade é muitas vezes ofuscada pela escassez de atividades, campeonatos e eventos.

3º as entidades organizadoras de competições sofrem com a falta de patrocinadores para investir e o mais grave: falta até pessoal para trabalhar no segmento. Quando há demanda, a capacitação deixa muito a desejar e com isso a qualidade é sentida e cai.

4º O problema maior é o círculo vicioso. A mídia reclama que não tem notícia, os clubes reclamam que não há espaço, as entidades reclamam que não investidores, os patrocinadores reclamam que não há visibilidade. Ou seja, um joga sempre a culpa para outro. Não há interesse em se ajudar e nem de ajudar o próximo. Com isso, o futebol feminino padece e vive de migalhas e de obrigações colocadas em regulamentos.

Foto: Reprodução/Facebook

É necessário dar um passo adiante, não é possível esperar que a Copa do Mundo chegue, que a Marta faça protesto ou que uma celebridade tente abrir espaço. É preciso muito mais do que isso. É lindo ver uma transmissão na TV ao vivo num domingo de uma final de campeonato. Sem dúvida. Mas e o dia a dia. Você sabe quem é a goleira do seu time? Ou a capitã? ou a estrela da equipe? Quem e a treinadora ou em muitos casos o treinador?

O poço é muito mais fundo, quando você vai atrás da realidade. Infelizmente é preciso muito mais do que apenas esperar que chegue a Copa do Mundo ou os Jogos Olímpicos.

Coluna Joguem Por Elas Nº 12