Foto: Mário Kempes/Blog do Kempes

Depois de quase 4 meses, desde a primeira denúncia sobre a suposta manipulação de resultados por parte do Crato no Campeonato Cearense, a Justiça, enfim, concluiu o Certame Estadual de 2022.

Por unanimidade (8 votos a 0), o Pleno do STJD cassou as decisões tomadas pelo TJDF/CE e homologou os resultados em campo. Com isso, o Fortaleza está declarado Campeão, Crato e Atlético/CE estão rebaixados para a Série B Estadual em 2023. O Iguatu ganhou a vaga para a Série D do Brasileiro do próximo ano. O Ferroviário conquistou vaga para a Copa do Brasil de 2023, o Caucaia foi o campeão do Interior e também levou as vagas para disputar a Série D do Brasileiro e da Copa do Brasil na próxima temporada.

Mais do que manter os resultados conquistados em campo, o STJD não só anulou as deliberações, como ainda colocou em dúvida as decisões do Tribunal cearense ao determinar que o corregedor regional do Nordeste investigue a corte, devido aos vícios cometidos durante todo o processo.

É algo muito grave e dolorido para todos que fazem o futebol cearense, mas ao mesmo tempo necessário. O que aconteceu durante os julgamentos (transmitidos ao vivo) extrapolaram o bom senso, a razão e muitas vezes até a justiça.

Foi possível perceber, não apenas uma vez, o tribunal usando a paixão, em outros momentos, a ira para julgar. Quando o que mais se precisava era de equilíbrio e razão. O alerta, ou melhor, a investigação do STJD deve ajudar a trazer luz e austeridade para a corte cearense.

Em julho haverá eleição para definir os novos membros do TJDF/CE, incluindo Presidente e Vice-Presidente. Depois de tudo que aconteceu neste ano, que todos os envolvidos no futebol cearense (clubes, advocacia, MP, arbitragem, autoridades, sindicatos e torcedores) possam entender, acompanhar e cobrar dos eleitos um Tribunal sem vícios.

O futebol é jogado dentro de campo, mas se não houver compostura, autocontrole e domínio do assunto o prejuízo é nocivo, importuno e danoso.