Foto: Arquivo Pessoal

Não dá para falar sobre o volante Felipe sem falar em amor e ódio da torcida do Fortaleza. E não há também como não citar passagens bíblicas para lembrar que “quem não tiver errado, que atire a primeira pedra” ou “nenhum profeta é bem aceito em sua terra”.

Cearense, de Maranguape, Felipe chegou ao Pici, depois de um bom campeonato estadual pelo time da cidade. Foi contratado para jogar na lateral direita, mas Marquinhos Santos (treinador do clube em 2016) o deslocou para o meio-campo e atuar como volante. E se encontrou.

Como outros que passaram pelo clube a partir de 2015, padeceu no flagelo da Série C, teve propostas para sair, errou fora de campo em alguns momentos, mas suportou, se segurou e ajudou o Fortaleza a sair do inferno.

Considerado o melhor jogador da Série B do Brasileiro de 2018, foi campeão e levou o Fortaleza de volta à elite nacional. Mas não ficou apenas nisso, 5 títulos estaduais, mais 2 Copas do Nordeste e a glória de levar o clube ao 4º lugar do Brasileirão e à inédita disputa da Taça Libertadores.

Felipe errou também, como qualquer pessoa que ainda precisa de maturidade fora das quatro linhas. Não é fácil sair de uma vida humilde, ganhando 2 mil por mês, e em pouco tempo, receber 10, 20 vezes mais. Sem abandonar as raízes, família e amigos, o camisa 15 tricolor é o símbolo de um cearense que apesar das inúmeras dificuldades, conseguiu vencer na vida trabalhando de forma honesta.

Agora, vai buscar a independência financeira para toda a família, ao ir jogar no milionário futebol árabe. Torcedor declarado do Fortaleza, Felipe vai em busca de outros sonhos e quem sabe voltar em breve. Afinal, aos 28 anos, dá para retornar e ainda ser reverenciado pelo que tanto suou e conquistou.