Não é novidade para ninguém, que o Ceará Sporting Club vive uma crise política há várias temporadas.

Mas poucos sabem como o clube alvinegro chegou nesse caos.

Por isso, é preciso voltar um pouco no tempo.

Há exatos 5 anos, em 26 de agosto de 2021, este Blog noticiava com exclusividade que a diretoria do Conselho Deliberativo do Ceará havia se reunido no dia anterior e deu parecer positivo para o então presidente Robinson de Castro concorrer ao 3º mandato.

Naquele momento, havia uma enorme polêmica no ar: o Estatuto do Ceará permitia (e só permite) que o Presidente da Diretoria Executiva tenha 1 mandato, com a possiblidade de somente 1 reeleição. 

O problema é que Robinson de Castro havia sido eleito em 2015 ainda no Estatuto anterior, que permitia mais de 1 reeleição.

Assim, o mandatário e seus pares precisavam do aval positivo do Conselho Deliberativo para poder concorrer a mais um pleito e continuar à frente do clube por mais 3 anos.

No entanto, alguns conselheiros e até dirigentes do clube, naquele momento, não concordavam com o 3º mandato. E queriam que fosse dada a chance a outras pessoas.

Robinson, até então, considerado como um dos maiores presidentes da história do Ceará, ainda não havia preparado um substituto e nem informalmente alguém havia surgido como um futuro “presidente do Ceará Sporting Club”.

A eleição estava marcada para dezembro daquele ano, ou seja, faltavam menos de 4 meses para saber quem seria o novo Presidente do clube.

É bom apenas contextualizar que em 2021 o Ceará vivia, talvez, o seu melhor momento em mais de 100 anos de história e Robinson de Castro estava à frente com números bastante a favor:

Conquistou 2 estaduais, 1 Copa do Nordeste, 1 Campeonato Brasileiro de Aspirantes, a sequência inédita de 4 anos consecutivos na Série A do Brasileiro e elevou o clube a um padrão financeiro e administrativo, que havia virado referência no Nordeste.

Além disso, reformulou e estruturou as categorias de base, onde conseguiu vários títulos estaduais e até um inédito Brasileiro, e revelou jovens promessas, que renderam milhões ao clube como: Felipe Jonatan, Arthur Cabral e Artur Victor. 

Se não bastasse, ainda contratou jogadores, que chegaram sob desconfiança, mas que renderam outros milhões ao clube como Everson, Richardson, Valdo, Saulo Mineiro, Sandro Manoel.

Com tantos números a favor e com o Ceará classificado pelo segundo ano consecutivo à Copa Sul-Americana, Robinson foi eleito em 15 de dezembro de 2021 com 225 votos a favor contra 17 do seu opositor, o médico Paulo Vasconcelos.

Depois disso, o caos se instalou na política interna do Ceará.

Foram várias batalhas na Justiça, com anulação da eleição, depois liminar, o mandato de Robinson de Castro acabou ficando sub judice por mais de 1 ano.

No meio disso tudo, o campo não correspondeu, o time não conquistou nenhum título em 2022 e ainda foi rebaixado para a Série B do Brasileiro.

A pressão, que já era enorme, se tornou insuportável que fez Robinson de Castro renunciar ao cargo em fevereiro de 2023.

O que se imaginava era que a oposição assumisse o comando do clube. Uma nova eleição foi realizada em março de 2023.

2 candidatos foram para o pleito: o então diretor financeiro do Ceará, João Paulo Silva, do mesmo grupo político de Robinson de Castro, e o empresário Gabriel Pontes, da oposição. João Paulo ganhou por 179 a 47.

A crise política seguiu firme com graves denúncias de má gestão e nem mesmo com o clube ganhando títulos: 2 estaduais, 1 Copa do Nordeste e 1 acesso de volta à Série A, João Paulo conseguiu escapar da crise.

No entanto, com mais um rebaixamento ano passado e a falta de resultados positivos dentro de campo nesta temporada tornaram os bastidores ainda mais turbulentos.

Para completar o caos político, em junho deste ano, uma bomba foi enviada em uma caixa de presente para a filha do Presidente João Paulo Silva.

O que gerou uma repercussão nacional com apoio ao mandatário e indignação de muitos pela audácia de envolver a filha do dirigente num atentado terrorista.

Os torcedores, neste momento, seguem com protestos contra a atual diretoria em todos os jogos com xingamentos e pedidos de renúncia ao presidente João Paulo Silva.

Recentemente, em entrevista à Rádio O Povo/CBN, João Paulo disse que, desde que assumiu, em março de 2023m não teve um momento de paz.

Para piorar, dentro de campo, o Ceará, que era para ser um dos favoritos ao acesso neste ano, briga contra o rebaixamento e está em 17º lugar na tabela de classificação da Série B do Brasileiro.

Pelo jeito, o caos político vai permanecer por mais um período.