Há exatos 3 meses, 15 de junho, 19 clubes da Série A do Brasileiro (o Sport confirmou um dia depois, já que na data não tinha presidente) assinaram um documento e entregaram à CBF. No ofício, a ideia e intenção de criar uma Liga de clubes para organizar o Campeonato Brasileiro a partir de 2022.

O movimento, até então inédito neste século, surpreendeu a todos e causou grande alvoroço no meio esportivo. Uma Liga nos mesmo moldes do que já acontece na Europa (Inglaterra, Itália, Espanha entre outras) seria a salvação do futebol brasileiro. Tiraria o poder da CBF e deixaria os clubes comandando os campeonatos nacionais.

Não durou 90 dias para esse sonho se tornar um pesadelo. E o protagonista é nada mais, nada menos, do que o Flamengo. O clube carioca chutou o pau da barraca para essa conversa de isonomia ou de esperar que todos estejam aptos para receber torcida nos estádios e entrou na justiça esportiva, conseguiu uma liminar e vai atuar com público no Maracanã nesta quarta-feira (pela Copa do Brasil) e no próximo domingo (pelo Brasileirão).

A indignação dos outros 19 clubes do Campeonato Brasileiro é geral e a revolta se tornou ainda maior com a negativa do Presidente do STJD, Otávio Noronha, ao não anular a liminar concedida aos rubro-negros.

Os clubes ameaçam não jogarem no próximo final de semana pela Série A e vão pedir à CBF o adiamento da rodada.

No meio dessa confusão inesperada e inacreditável, algumas perguntas ficam sem resposta e põem em dúvida a tal criação da Liga de Clubes: Se fosse em 2022, já com a Liga organizando o Campeonato, qual seria a punição para o Flamengo? O clube rubro-negro tomaria tal atitude? O STJD seria a favor da Liga, da Justiça, da Política ou do Flamengo? Quando for distribuição de cota de TV algum clube pode fazer o mesmo?

Não é possível que no meio da maior crise sanitária da história do planeta, com todos os clubes sofrendo sem receitas de bilheteria e de sócios, um “dissidente” possa achar uma brecha na Lei, ter força política no STJD, conseguir o auto favorecimento e ainda sair de todo esse imbróglio apenas com a velha “Estou apenas lutando pelos meus direitos e dos meus torcedores”.

Aquela história de que o maior mal do futebol brasileiro é a CBF parece que não é bem assim. Pelo contrário, no momento em que os clubes conseguem ter um pouco de poder provocam esse caos. Imagina quando ou se tiverem o controle em 2022?

📸 Lucas Figueiredo/CBF